4.30.2010

Revendo Filmes e Quadrinhos ou Com Quantos Takes se Faz um Estúdio Parte Final

Desde X-2 a Marvel comenta sobre filmes interligados e do desejo de se criar uma filmografia coesa completamente dentro do próprio universo. Depois de alguns fracassos em outras mãos, assim como sucessos que criaram uma legião de fãs de seus filmes-spandex, a editora decidiu dar o passo mais ousado de sua vida: tornar-se um estúdio. O momento era oportuno: X-men possui um universo próprio, assim como Homem-Aranha, dessa forma, Fox e Sony, respectivamente, poderiam explorar os dois sem muitos prejuízos para os objetivos da Casa das Ideias. Todos os outros tiveram bilheterias de regulares a ruins, assim a Marvel poderia, com alguma conversa, reaver os direitos de personagens menos conhecidos pelo grande público e usá-los (junto com aqueles cujos direitos sequer tinham sido negociados) em produções menores como testes, ou em maiores que apresentassem algum potencial. Como em um casino, a editora-estúdio apostou suas fichas em duas marcas: o selo adulto Marvel Knights e a apresentação dos heróis que formam seu mais poderoso grupo: os Vingadores.

Justiceiro - Zona de Guerra (2008, Lexi Alexander)

Zona de Guerra é um filme que teoricamente, à sua época, não só daria o reboot na série do ex-policial assassino de bandidos, mas iniciaria um selo cinematográfico mais adulto, o Marvel Knights. Para isso, a Editora-agora-estúdio deu cabo das reclamações dos fãs e fez um Castle mais durão, mais turrão, mais assassino, mais sangrento, mais insano, mais bruto, com mais metralhadoras, mais chacinas, mais "Predador", mais "Stallone Cobra", mais... "Todo Mundo em Pânico"! O filme é um equívoco do começo ao fim. Na tentativa de se fazer algo dentro do gênero "18+" a diretora tropeçou nas próprias pernas e teve como resultado um filme pastelão com um roteiro lineareamente pobre onde baldes de tinta vermelha são jogados na tela em mortes que mais parecem saídas da revista MAD ou de algum episódio tosco de Simpsons ou Big Guy, mas sem toda a "finesse" das obras citados.

O engraçado é que o trailer de divulgação do filme é bem legal e realmente nos motiva a assisti-lo (malditos publicitários), numa possibilidade única de ver a ação na medida do Justiceiro. Usar os personagens do universo do vigilante, como Retalho, foi um lance esperado, mas necessário, arrisco-me dizer que Ray Stevenson talvez seja o melhor Justiceiro a ser mostrado numa tela grande, o resultado final, no entanto, é degradante de muitas formas. Fico me perguntando quantas pessoas quiseram sair do cinema (ou dar um definitvo stop no DVD) quando nosso caro Castle detona um meliante praticante de le pakour quando este dá um salto entre um prédio e outro. A cena lembra um daqueles joguinhos de Atari em que fica uma nave atirando na parte inferior da tela a fim de destruir os ETs que estão descendo da parte superior. Sabe o que é pior? O jogo paleontológico é bem mais empolgante que este filme.

Os atores que fazem os vilões também não ajudam. Os caras nem tiverem a dignidade de ler os quadrinhos, preferindo fazer vilões que são um arremendo daquilo que Heath Ledger fez com o Coringa. E a "adorável" e "inteligentíssima" diretora, colocou o irmão do mal-maquiado Retalho em uma desnecessária sequência destruindo vidros e sangrando, como se o simples fato do cara ter sido retirado de um asilo onde ele estava trancado a 4 chaves já não fosse prova o bastante de sua insanidade. Uma vergonha de tão absurdo. Enfim, o filme enterrou o selo MK e possibilidades de bons filmes, assim como detonou de vez a carreira do Caveira-no-peito nos cinemas. Sinceramente? Ainda bem! Curiosidade: o ator que faz o Micro, Wayne Knight, foi quem liberou os dinossauros em Jurassic Park. O cara não aprende a fugir de monstro...

O Incrível Hulk (2008, Louis Leterrier)

2008 foi o ano de estreia da Marvel Studios. Também foi o ano de uma saga elaborada, por mais que muitos acreditem que não, cujo objetivo, se alcançado, vai criar um grande marco nos filmes-spandex. Indo de trás pra frente nas duas produçõs que abrem caminho para os Vingadores, vamos falar de Incrível Hulk.

Uma vez tendo reavido seus direitos sobre o personagem, a Casa das Ideias o entrega, quase que prematuramente, a Leterrier. O diretor francês ficou bem conhecido pela sequência de Carga Explosiva, um filme de pouco papo e ação rápida. Mestre em uma câmera sempre em movimento, bastante dinâmica, Louis preferiu buscar inspiração para seu Hulk na memorável série de TV com Bill Bixby e Lou Ferrigno e ele não poderia ser mais bem sucedido em sua escolha. Com um elenco de primeira grandeza que contava com caras como Ed Norton (confesso fã da série), Tim Roth, Samuel Sterns e William Hurt, além da simpática Liv Tyler, a obra não faz feio. A eterna busca por uma cura na série, que levava o Banner a viajar todo o solo americano, foi expandida para o globo, assim, Bruce começa no Brasil, volta aos EUA e segue para a Europa (e, nas cenas cortadas, ainda há o Alaska), tudo regado a muita ação e tensão.

O filme não chega a impressionar, devo dizer, mas possui todos os ingredientes necessários ao Hulk. Norton não é o Banner perfeito, mas é um bom ator e faz seu papel direito, Tim Roth também é um antagonista genial que desde a primeira cena em que aparece denuncia seu fim monstruoso e o faz com maestria e selvageria militar. O próprio Golias verde é outro ponto alto do filme. Leterrier faz um MONSTRO, ponto. Nada mais que isso. Desde sua forma física avantajosamente bem distribuída em cerca de 3m de CG muito sujo e musculoso até sua fúria e poder insanos, não há nada ali que não seja um herói monstruosamente incontrolável. O francês ainda acerta mais colocando devidamente bem posicionados easter eggs referentes ao Universo Marvel. Como ele mesmo disse: "Há o Capitão América no meu filme" e quem assistiu pode perceber que ele não estava mentindo. Há tantas coisas positivas que os absurdos erros de continuidade são deixados de lado para perseguições, explosões, batalhas fenomenais, golpes e bordões clássicos.

O Incrível Hulk tirou a impressão ruim causada pelo filme de Ang Lee e, apesar de todos esses pontos positivos, não foi um estrondo de bilheteria, talvez porque no mesmo ano, com estreia bem próxima e anterior a ele, a Marvel lançou seu mais estrondoso sucesso: Homem de Ferro. Curiosidade: quem dubla o Hulk é Ferrigno, uma escolha muuuuito nerd.

Homem de Ferro (2008, Jon Favreau)

Acho que ninguém dava nada por esse filme. Ninguém esperava muito em relação a ele. Parecia só mais uma tentativa para um filme-spandex e que, pensando positivo, seria legal e pronto. Mas alguém resolveu chamar Jon Favreau para a direção, que, por sua vez, decidiu chamar um certo ator consideravelmente talentoso que tinha abandonado vícios e desgraças tão severas quanto as que o personagem que ele iria interpretar viveu. Ele nem precisava atuar, bastava acreditar que era um gênio com uma conta bancária ilimitada. De certa forma, tudo foi bem fácil pro cara.

Não consigo descrever o impacto que este filme teve em mim. Foi a consolidação que Marvel Studios existia, era possível e poderia dar certo. Favreau pegou um conceito parecido com o desenvolvido por Raimi em HA1, retirou a responsabilidade e deu liberdade a Downey Jr, o qual montou um Tony Stark superiormente mais interessante que seu alter ego de metal. Resultado: um herói muito mais carismático na tela que nos quadrinhos e mais bem sucedido também.

Esse filme possui uma química simples baseada em pontos chaves (técnica e bobamente falando). O enredo é enxuto: uma história básica de apresentação (o protagonista é assim + fez-se herói assim + o vilão é esse aqui + explosões no meio do caminho + explosões e briga no clímax = tom de continuação no fim), mas o filme real está em seus atores. Completamente confiante na força dos personagens e na qualidade do elenco, Favreau diminuiu as cenas de ação e alongou as de seu protagonista (Tim Burton fez o mesmo em seu filme do Coring... Batman), dando-o um suporte com um elenco de apoio seguro e bem preparado. E é isso que faz o filme ser tão singular.

Apesar de Downey Jr ser a grande e brilhante estrela da adaptação, ampliando de maneira majestosa, divertida e inteligente os dilemas de um personagem até então "menor" no universo Marvel, os coadjuvantes possuem participações marcantes e empolgantes sem ter de "roubar a cena", dando uma certa harmonia à narrativa. Por conta disso, arrisco dizer que Gwyneth Paltrow foi a melhor coadjuvante feminina (humana) num filme-spandex. Não gritava como Kirsten Dunst em HA, não é apagada como Katie Holmes em Batman Begins e Kate Bosworth em Superman Returns, não é bobinha como Liv Tyler no Hulk, nem é símbolo-apelativamente-sexual como Eva Mendes e Jennifer Garner no Motoqueiro e Demolidor. Ela, apesar de secretária de Stark, é uma mulher real, com visões, objetivos e saídas reais e anjo da guarda de um alucinado chefe. Terrence Howard casa perfeitamente o militar durão e o melhor amigo que perdoa tudo, mas chamando seu chapa de feladap*%@ quando necessário, e o grupo fecha com o sempre magistral Jeff Bridges que faz um vilão tão deliciosamente crível que sinto ao mesmo tempo felicidade e pena por não poder vê-lo em uma continuação.

Apesar de todos os cuidados de seu diretor, entregando aos fãs um filme que é muitas vezes comparado ao singular Batman - Cavaleiro das Trevas por simplesmente ter ido na direção contrária deste e ser bem sucedido, seu clímax é razoável, o que, na verdade, não passa de um detalhe se comparado a todo o resto. Impossível não se empolgar e ri quando Tony começa a fazer sua armadura em casa, os testes de voo e sua tentativa de engatar um romance com Pepper, os carões que leva de Rhodey, ou de se roer os dedos quando ele está preso no começo do filme e você sabe que Mark I sairá dali. Tudo bem organizado, bem cuidado, com uma narrativa linear simples, mas ricamente trabalhada em seus detalhes.

Enfim, um filme que poderia ter acabado nos créditos e tudo teria ficado bem, mas alguém tinha que colocar uma cena a mais, um personagem a mais, um doce a mais. Assim, a SHIELD estava ali. Estava em Hulk, mas em Homem de Ferro seu líder dá as caras. Nenhuma surpresa ao revelarem que o Nick Fury escolhido foi Sammy Jackson, da tão bem falada versão Ultimate do mais poderoso grupo de heróis da Marvel, mas foi uma surpresa de gloriosa esperança quando este diz "Iniciativa Vingadores". Já não era mais boato, já não era mais uma incerteza, era o próprio Mace Windu com o tapa olho e o "escudo" na lateral da jaqueta dizendo isso com todas as letras.

Eu sorri como uma criança que acabara de ganhar o Castelo de Greyskull ou o Thundertank. Depois de Homem-Aranha, eu iria ver meu grupo de heróis favoritos antes de bater as botas. E eu sei que essa espera e alegria não são só minhas. Hoje, dois anos após a estreia fenomenal do ferroso, ele retorna com mais certezas e esperanças conquistadas nesse período e anunciadas agora.

Por isso, "True Believer", não perca mais tempo. A Semana de Ferro acaba aqui, então corra a um cinema neste fim de semana, aproveite o feriado e prepare-se para os primeiros passos que definirão os Vingadores!

VINGADORES PARA TODOS!

Quer saber mais sobre o Homem de Ferro? Então clique AQUI e leia Viga Mestra por Wesley Samp no site da galera do HCast.

4.28.2010

Revendo Filmes e Quadrinhos ou Pegar o Atalho Errado Parte II

Depois de alguns acertos com os 2 primeiros filmes dos X-men e do Aranha, a Marvel se sentiu segura para levar outros personagens à tela grande, mas quem com muita sede vai ao pote...

Hulk (2003, Ang Lee)

Sou meio suspeito para falar, pois realmente gosto desse filme. Ang Lee, diretor mais conhecido por suas versões dos clássicos de Jane Austen, tentou fazer um Hulk cheio de dilemas paternos ao mesmo tempo que fazia um filme de ação que era inspirado em uma obra de quadrinhos mundialmente conhecida e admirada. No final das contas temos um elenco que tenta ser bom, mas parece meio perdido (só Sam Elliott realmente convence) e um monstro verde que muitos acharam uma massinha cheia de ar. O filme, porém, acerta pela ousadia de suas cenas de ação: Hulk é mostrado algumas vezes no escuro, técnica utilizada para mascarar efeitos, mas o "bonequinho" também pula, bate e voa em cenas abertas e claras, interagindo maravilhosamente com objetos e pessoas, pena que o CG é tão "limpo" que a impressão de ilusão é patente. Decupar a tela em quadros que lembram a narrativa da HQ é outra tirada genial e que deveria ser usada pelo cinema de ação mais vezes, ampliando as possibilidades visuais que a arte permite, não só pelos filmes-spandex.

Infelizmente a impressão que temos é que o diretor teve acesso às HQs do Gigante Verde, mas somente as usou como material de referência visual. A escolha de David Banner, o pai de Bruce, como um cientista militar que ficou maluco começa bem, assim como os relacionamentos dos personagens, mas se perdem do meio para o fim e o clímax do filme parece pretensioso demais, dando a impressão que alguém forçou aquela batalha só pra acabar a história sem nenhuma conclusão de todos os dilemas mostrados no começo.

O diretor oriental não merece só patadas, no entanto. Seu Hulk é selvagem, furioso e agressivo. As ideias científicas de perder líquidos e ficar vorazmente com fome quando sai da forma de monstro são detalhes que dão consistência a todo o resto e fazer o monstro em CG com a cara de Eric Bana foi uma outra tirada de mestre. Fora que todo o ambiente e fotografia do filme remetem às histórias clássicas e alguns takes parecem copiados de desenhos de Jack Kirby. Mas o filme não teve o resultado esperado de público e crítica e o Golias Verde foi deixado de lado. Curiosidade: o próprio Ang Lee vestiu o motion capture, a roupa que capta movimentos para montar o verdão em CG.

Demolidor, o Homem sem Medo (2003, Mark Steven Johnson)

Demolidor é um dos personagens mais consistentes e interessantes da Marvel. A maior parte disso por conta de Frank Miller, devo dizer. Sua cruzada contra a Máfia, o fato de ser um advogado cego, de morar na Cozinha do Inferno e ter um pai que era boxeador já serviam de base para um enredo magnífico sobre o vigilante. Talvez se o filme tivesse sido dirigido por Chris Nolan, o demônio vermelho fosse tão popular quanto Homem de Ferro ou Hellboy hoje, mas não foi isso que aconteceu.

Com uma direção despreparada, doida para fazer um filme para adultos mas com classificação etária juvenil, uma edição feita no paint brush e atores mal escolhidos, Demolidor - o Homem sem Medo mal é uma sombra do que realmente poderia ser. Prova de que a pressa é realmente a inimiga da perfeição.

Uma pena. Algumas coisas no filme realmente pareciam interessantes: os efeitos da cegueira são uma boa ideia, o conjunto de referências a quadrinistas que trabalharam com o personagem é uma diversão de easter eggs, a roupa e armas pareciam bem colocadas na tela grande, Ben Urich foi uma escolha perfeita, Collin Farell faz um Mercenário até bacana e Rei do Crime negro foi outra sacada óbvia, mas legal. No entanto, para por aí. O dilema de Matt é pouco e pobremente explorado, a Cozinha do Inferno não causa todo o impacto que deveria, Jennifer Garner (por mais lógico que fosse tê-la no papel depois de seu trabalho em Alias) parece mais uma dançarina de boate e um fetiche masculino que a ninja fode c* da Marvel, Michael Clarke Duncan ri tanto que você esquece que ele é um rasga-supers-e-traficante-foda e Ben Affleck... bem, é o Ben Affleck. Resultado: um filme sessão da tarde que não valia o ingresso, mas divertia se você nem soubesse quem era Matt Murdock/Demolidor, e se você leu o cara na época de Miller ou de Bendis e Maleev, deve ter tido convulsões. Curiosidade aos desatentos: o parceiro/amigo/sócio/chapa de Murdock, Foggy Nelson, é interpretado por Jon Favreau que mais tarde seria responsável por colocar a Marvel em seu próprio lugar nos cinemas dirigindo o Homem de Ferro.

Justiceiro (2004, Jonathan Hensleigh)

Não sei que tipo de problema o Justiceiro sofre que nenhum de seus filmes realmente emplacam nos cinemas. Gosto do filme com o Dolph Lundgren, principalmente do final. Um bom filme policial que se adequava bem à sua época. O 2º reboot em tela grande do personagem não faz lá muito feio. Seu ator é carismático (talvez tenha sido esse o problema) e visualmente parecido com Castle, o roteiro é organizado e tem uma trama bem amarrada (a ideia de "punir", já que o nome original do personagem é "punisher", aquele que pune, fica encaixada perfeitamente), as atuações são boas (ok, talvez nem tanto John Travolta, mas pelo menos ele não quis fazer um novo Coringa), há referências aos quadrinhos, é PG-13 (classificação americana que permite garotos de até 13 anos ir acompanhados dos pais). Enfim, com tantas qualidades, por que deu errado?

Fãs sentiram falta de um Frank mais sério e bruto, de mais sanguinolência, de metralhadoras e bazucas e facões, de mais personagens categóricos, de mais... comics. Infelizmente, acredito que Castle só funcione do jeito que é na mídia impressa, para filmes ele tem de ser "amaciado", coisa que Hensleigh fez bem, mas acabou desagradando fãs com isso. Considerar Castle como personagem de HQ não funciona para o cinema. Se ele tivesse saído direto em DVD talvez tivesse tido uma repercussão melhor.

Elektra (2005, Rob Bowman)

Todo treinamento e dedicação de Jennifer Garner não salvaram o tom fetichista das roupas e sua reprise da personagem criada por Frank Miller em um filme solo nada mais é que uma fita de kung fu com efeitos legais e enredo bobo. Em nada a personagem do filme lembra a ninja do Tentáculo, organização criminosa que deixa muito a desejar apesar de seus curiosos assassinos de beijinhos venenosos.

O interessante de Elektra é a tentativa (pobre, diga-se de passagem) de criar uma ligação com o filme do Demolidor, mas mesmo nisso a fita falha e a possível cronologia acaba não fazendo lá muito sentido.

Não só de pão amassado pelo diabo vive uma adaptação e o filme diverte como uma aventura/ação despretensiosa e poderia ter tido um resultado melhor se tivesse saído direto em DVD, de resto, nem mesmo a curiosa família MILLER ajudada pela assassina serve de easter egg. No entanto, anotem uma coisa: o roteiro deste teve a mão de Mark Steven Johnson, que trabalhou com Demolidor.

Quarteto Fantástico (2005, Tim Story) e Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007, Tim Story)

Tem coisas que não entendo. Uma delas é o sucesso tímido de Quarteto Fantástico. O filme é quase a cópia, xerox digital, scan com efeitos dos primeiros quadrinhos do grupo. Até mesmo a cena da transformação dos 4 é exatamente a mesma. O começo do filme é Quarteto original deslavado! As discussões do grupo, implicância de Johnny com Ben e vice-versa, fanatismo científico de Richards, tudo está lá. Acho que o diretor foi genial em fazer do grupo aquilo que ele é em sua integridade mais básica e profunda: uma família. Fugir dessa premissa é fazer um filme que não seria do Quarteto Fantástico. E os atores? Chris Evans é o Tocha do começo ao fim, Michael Chiklins pode não ser um Coisa de 2 metros de altura, mas ele é tão Ben Grimm quanto Hugh Jackman é Wolverine tendo bem mais que 1,50m, Ioan Gruffud pode não ser o sério e às vezes frio Sr. Fantástico, mas seu atrapalhado e empolgado Reed funciona perfeitamente para uma mídia de cinema, e a ex-negra-enlourada Jessica Alba faz uma Susan Storm na medida, sem ser apelativa a não ser pra chamar a atenção do cientista-futuro-marido em uma única e rápida cena "decotada" do filme. Cara, eles são o Quarteto Fantástico!

Minha única crítica seria ao Victor Von Doom de Julian McMahon, mas, verdade seja feita, Destino é o maior vilão Marvel, tão letal, profundo e genial quanto um Magneto e muito melhor que um Norman Osborn, sendo que os dois últimos foram interpretados, respectivamente, por Sir Ian McKellen e Willem Dafoe, dois atores de primeira linha, assim esperava-se o mesmo com Doom. Não menosprezando os talentos de Julian, mas só um ator do grande escalão conseguiria fazer esse personagem da forma certa. No entanto, o ator faz um vilão que casa com o tom do filme, um ricaço soberbo e megalomaníaco, sem ser bobão. Ou seja, um filme todo na medida e com o apadrinhamento emocionado de Stan Lee.

Apesar da bilheteria não ter sido um X-2 ou Homem-Aranha, foi boa o bastante para garantir um segundo filme, mas nem tudo eram flores no reino em tela grande da Marvel...

Há certos problemas em transpor clássicos para mídias diferentes da sua. O primeiro é todo apego que os fãs têm à obra original, não importa o quão tosca ela possa parecer anos depois (o que não é o caso). Em Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, Tim Story, obviamente, procurou abordar a a mais memorável história da família de aventureiros, quiçá de toda a Marvel: a Trilogia Galactus. Story é um diretor pé no chão. Ele manteve o tom do primeiro filme aprofundando o relacionamento do grupo com o casamento de Reed e Sue, assim todos estão do mesmo jeito, os atores mais preparados do que nunca para revivê-los e o roteiro ajudou consideravelmente essa interação entre eles. No entanto, os personagens principais dessa história são Galactus e o Surfista Prateado. Assim, como bom diretor, mas não tão bom leitor de quadrinhos, Tim diminuiu a importância e psicologia deles a fim de de fazer um novo filme dos 4 bem limpinho, com aquele tom de "pode ser o último ou mais um capítulo de algo maior" e, infelizmente, não agradou.

Seu filme é bom. Os efeitos estão legais, o roteiro é enxuto e preciso, as atuações estão na medida, a aventura/ação empolga e seu clímax é bem feito. Mas o Surfista não é o pensante personagem preferido de Stan Lee, Galactus não é o gigante poderosamente tecnológico, mas uma iminente e apoteótica "fumaça". O diretor teve suas razões, preferiu construir algo que pudesse ser melhor recebido pelo público não leitor de quadrinhos que já havia se apaixonado pelo primeiro filme, aparentemente uma decisão mais segura, mas neste caso ousadia era uma saída melhor e como ela não foi escolhida, os Fantásticos terminaram suas aventuras cinematográficas sem promessas de retorno a curto prazo e em dois filmes que faziam jus a seus personagens, mas não a suas histórias. Curiosidade: há um especial no DVD do primeiro filme que Reed pergunta se Sue não queria que ele fosse mais "ousado" então se estica a ponto de parecer com Wolverine. Hiláriamente tosco.

Motoqueiro Fantasma (2007, Mark Steven Johnson)

Nem a empolgação de Nicholas Cage (fã patente e colecionador doente de comics), nem os decotes de Eva Mendes, nem a participação do altamente requisitado e talentoso Wes Bentley fizeram do filme do Motoqueiro um filme melhor. Apesar dos efeitos especiais de primeira, tanto da caveira flamejante quanto das cenas de luta e transformação, o filme do Espírito da Vingança é uma aventura mediana recheada com caras e bocas de Cage, muitas vezes lembrando Jim Carrey, um romance meia boca com uma voluptuosa Eva Mendes (que não possui função alguma pra narrativa, além de ser praticamente a única mulher/apelo sexual do filme), frases batidas e ridículas e uma trilha sonora que em nada combina com o personagem (Carpenters? Qualé? E cadê AC/DC, Iron Maiden, Metalica? Onde esses caras liam os quadrinhos do motoqueiro, num salão de beleza?). A única tentativa boa do filme foi tentar criar uma mitologia para o personagem e novamente Sam Elliott é o único a se destacar na fita fazendo aquilo que ele é: um cowboy.

Depois de tudo isso, os produtores entenderam que envolver Mark Steven Johnson em um filme Marvel é um erro enorme. E parece que a lição foi aprendida já que foi anunciado que ele estava de fora do reboot do Caveira Flamejante (engraçado é que o cara disse várias vezes no DVD especial que ele tinha uma ideia de roteiro que tratava o caveiroso como um caçador de recompensas dos Quintos e até achei a ideia curiosa). Já Nicolas Cage ainda tenta conseguir sua redenção. Talvez se ele falar com Mefisto...

Sexta-feira nossa saga chega ao fim com o começo da Marvel Studios e, logo que eu assista HF2, publicarei a resenha aqui. Não percam, comentem e visitem o flickr para acompanhar a produção de nossas telas colocadas. Até lá!

FILMES-SPANDEX PARA TODOS!

4.26.2010

O Quadrinho Panfleto

O aniversário da Gibiteca de Fortaleza está chegando e todos devem se mobilizar para celebrar a data. O Z&A também quer fazer parte da comemoração e sugere uma ideia que pode ser feita por qualquer um: o Quadrinho Panfleto (QP).

A ideia na verdade é bem simples. Você junta uma história ou algumas tiras que caibam em uma única página, desenha e faz cópias de frente e verso (claro, a frente sempre diferente do verso, dãããã) e distribui. Seria legal que cada página pudesse ser temática com um topo escrito "Quadrinho Panfleto" representando o tema da página, como Eisner fazia com os logos de The Spirit.

Àqueles que não querem fazer de graça, pois tudo o que é de graça a galera joga fora, façam por um preço camarada. Minha sugestão são 2 por R$ 0,05, assim o comprador fica com um e dá outro para alguém. Legal, né?

Para não deixar a ideia morrer, fiz rapidamente alguns roteiros (uau! Os primeiros a serem colocados aqui) curtinhos para se desenvolver este projeto e ao longo de nossa Semana de Ferro eu vou colocar alguns topos de QP em nosso flickr e que podem ser usados por qualquer um, seja os que façam um de meus roteiros ou não.

Baixe os roteiros aqui.

Por isso, leiam, curtam e desenhem. O aniversário da Gibiteca de Fortaleza não pode passar em branco, a não ser que o branco seja de sarjeta! Então, mãos à obra!

MOVIMENTO QUADRINHOS PARA/POR TODOS!

Revendo Filmes e Quadrinhos ou Assim Caminha a Humanidade 1

Desde que a Marvel passou por problemas financeiros e foi comprada pela Toy Biz entre as décadas de 1980 e 1990, os novos gerentes da Casa decidiram que suas aquisições deveriam aparecer em outras mídias de maneira bem mais glamurosa que os vergonhosos filmes do Quarteto, Capitão América e Justiceiro. Muito foi feito, refeito, e recomprado e agora Vingadores, um filme que anuncia a união de vários personagens em película, é o futuro Marvel.

Aproveitando a semana de estreia de Homem de Ferro, decidi fazer uma retrospectiva desta nova fase da editora nos cinemas, vendo os erros, acertos e projetando o futuro, nesta que é a Semana de Ferro do Z&A.

Blade (1998, Stephen Norrington), Blade 2 (2002, Guillermo del Toro), Blade Trinity (2004, David S. Goyer)

Certos passos devem ser dados aos poucos. Uma lição que serviu para a Marvel quando resolveram deixar de lado os "grandes" e colocaram Blade como seu primeiro personagem em longa-metragens. O primeiro filme, de roteiro limpo e preciso e ambientação sombria com cenas cheias de lutas e ação de primeira, atraiu fãs de vampiros e de filmes casca-grossas e redefiniu o gênero ao mostrar dentuços mais fodas e machões (apesar de ser o único exemplo que eu conheça), contrapondo o senso comum de sua sensualidade quase homossexual ao mesmo tempo que criou fãs de Blade que desconheciam sua ligação com HQs. Wesley Snipes e sua kataná funcionaram tão bem que mais dois filmes foram encomendados, todos sem a riqueza e bom trato do primeiro, mas com melhores efeitos especiais. Curiosidades: David S. Goyer, roteirista do primeiro e diretor do segundo, foi um dos escritores do filme de outro herói obscuro: Batman Begins. Guillermo del Toro seria conhecido mais tarde por outro super-herói: Hellboy. Ryan Reynolds faz um papel no terceiro filme que é um melhor Deadpool do que o seu real Deadpool em X-Men Origens: Wolverine.

X-men (2000, Brian Synger), X-2 (2003, Brian Synger), X-men: O Confronto Final (2006, Brett Ratner), X-men Origens: Wolverine (2009, Gavin Hood)

Depois de um acerto com Blade e um desenho animado que popularizou seus mutantes, a Marvel decidiu dar um passo maior. Com o direito de seus personagens nas mãos da Fox, produção de Lauren Shuler Donner e Ralph Winter e direção de Brian Singer, o primeiro filme dos genes-X prima por repetir a fórmula criada por Stan Lee: um grupo de pessoas que é mal visto pela sociedade por serem diferentes, mas essa diferença é o que os faz especiais... e heróicos. Estrapolando os conceitos do relacionamento de Xavier e Magnus, o primeiro filme dosa de forma bem "povão" racismo, política, heroísmo e aventura, apresenta os X ao mundo e cria uma mitologia única ao cinema, apesar da peruca de Hale Barry e dos efeitos mais ou menos.

Visando criar uma franquia tão grandiosa quanto Star Wars, o espaço entre o primeiro e segundo filmes foi pequeno e Brian Synger provou sua qualidade como diretor dos pupilos de Charles ao fazer uma continuação com mais personagens, mais dramas, mais ação e mais Wolverine, mutante que na pele de Hugh Jackman encontrou seu lugar ideal na tela grande. O final com a premissa da Fênix fechou de maneira magistral o que parecia ser a melhor ideia de super-heróis para o cinema que já havia surgido.

Milhares de discussões depois e o caldo desanda. Synger vai fazer o mal recebido Superman Returns e Ratner assume os mutunas. Apesar de tentar se focar nos mesmos pontos abordados por Synger, o novo diretor cria um filme lotado de ação, conflitos bem colocados, mas mal explorados, uma Fênix meio imbecil (nas HQs a mulher é uma entidade que consome mundos! Qualé?), uma Ororo líder (ideia do c@#@%#*) e um Wolverine bem mais militar, mas não tão Wolvie quanto nos outros filmes, apesar de ter mais espaço neste. Arriscou umas doideiras como matar parte do elenco principal e debilitar outros e acabou a primeira trilogia mutante com um grande CONTINUA. O filme, apesar de bem recebido por alguns, não teve a mesma intensidade e sucesso que os outros, mas conseguiu fechar a trilogia mutante. Mesmo assim, a Fox não queria parar, mas preferiu ser mais paciente.

Depois de um bom tempo sem X-men nos cinemas, muita água já tinha rolado para os spandex desde o magistral início dos filhos do Átomo, então começou-se uma conversinha de se fazer um filme só com Wolvie. Hugh Jackman/Logan/James Howlett/Wolverine havia se tornado de ilustre desconhecido "X" para astro hipercarismático que pode fazer o que quer em Hollywood e acabou assumindo a produção do filme solo do Caolho, respeitando a vida em película do personagem que o tinha levado ao estrelato. Com um diretor bem cotado e uma premissa interessante, dava-se início a uma produção que era carro-cehfe de vários solos de mutantes, entre eles um filme do Magneto. Talvez por discussões entre os produtores e o diretor, talvez pelo vazamento da fita na internet antes mesmo que ela fosse finalizada, talvez pelo excesso de empolgação de Jackman ou talvez pelo momento de mudança e adequação que os filmes-spandex estavam passando após Batman: Cavaleiro das Trevas e Homem de Ferro, X-men: Origens não agradou tanto público e crítica e conseguiu ter uma repercussão razoável em bilheteria mais pelo fascínio que o personagem e seu ator despertam do que pela qualidade da produção. Mesmo assim ampliou o universo mutante nos cinemas e ajudou a consolidá-lo introduzindo novos personagens, mostrando um Dentes de Sabre bem mais crível, revelando algumas coisas do passado do Carcaju e dando espaço para mais filmes. Dois momentos do filme são bem explorados: seu início, com os irmãos-lobo se escondendo através de guerras na história, e o fim de William Stryker adicionado ao aparecimento de Xavier, o resto é balela.

A franquia mutante, no entanto, ainda pode ser explorada de muitas maneiras, um segundo filme de Logan foi encomendado, bem como X-men: First Class, sobre a primeira turma de Charles, o tal do filme do Magneto, e alguns falam de um 4º X-men ampliando a cronologia criada com os primeiros filmes. Independente disso, os mutantes foram importantes por mostrarem que era possível fazer grandes filmes de quadrinhos para um público que não era leitor assíduo destes. Curiosidade: Lauren Shuler Donner, produtora do filme foi quem escolheu Jackman para ser o canadense, ela é esposa de Richard Donner que escolheu (e dirigiu) Christopher Reeve para imortalizar Superman nos cinemas. Ambos personagens se tornaram a cara de seus atores os quais dificilmente serão esquecidos e superados nesses papéis.

Homem-Aranha (2002, Sam Raimi), Homem-Aranha 2 (2004, Sam Raimi), Homem-Aranha 3 (2007, Sam Raimi)

Homem-Aranha sempre foi um personagem muito popular, por isso fazia sentido arriscar primeiro com ele nos cinemas, pois parecia certo seu sucesso. Mas suas manifestações em outras mídias nunca foram lá um realmente um "sucesso" (desenhos, série live action, herói super sentai, mangás...) e depois de milhares de propostas que nunca iam pra frente (até James Cameron já quis fazer um filme do aracnídeo) parecia melhor colocar a cabeça no lugar e esperar o momento certo. Blade preparou o terreno, os X-men fizeram o cenário e Sam Raimi fechou a equação. Fã declarado do Aranha - todo mundo cansou de ler que ele tinha um poster do personagem na parede do quarto - e de suas fases clássicas, o diretor de Evil Dead fez um filme que fazia jus ao título de "ícone pop e imortal" do cabeça de teia. Quase nada foi mudado em sua história de origem: a aranha que pica o nerd está lá, mas sem radioatividade, a menina que ele ama está lá, mas é a ruiva que ele só conhece depois, ele se balança em teias, mas dessa vez as lança de seus pulsos, não de um lançador mecânico, ele ainda deixa um ladrão fugir e perde o tio no processo, aprendendo que "com grandes poderes, grandes responsabilidades", tudo de maneira bem colocada, adaptada à nova década sem conspurcar o original, com um elenco de bons atores, uma direção madura e um bom departamento de marketing. Sucesso na certa.

E que sucesso. À sua época, o primeiro filme bateu recordes de bilheterias, transformou o quase desconhecido elenco em estrelas da noite para o dia, fixou a marca do Amigão da Vizinhança na mente de todos os seres viventes, tendo eles conhecido a obra em HQs ou não, e causou uma comoção em um nível equivalente a seu nascimento em 1962, mas com 100x mais intensidade (até tema de micareta em Fortaleza o personagem foi, com meninas gostosinhas em trajes sumários que lembravam o do personagem), além de ter criado uma cena que entrou para a história do cinema e dos namoros que surgiram na época: o beijo de cabeça pra baixo.

Sucesso feito, contratos assinados, era hora de um segundo filme. Toda a equipe retorna e Sam Raimi recebe dinheiro e liberdade criativa. Coloca Octopus como vilão e "semi-mentor" de Peter, pega todos os relacionamentos criados nos primeiro filme ([MJ + Peter + Harry]/Homem-Aranha + [tia May]) e eleva ao quadrado. Mesmo não alcançando os resultados de bilheteria do primeiro, Homem-Aranha 2 foi o melhor na opinião de público e crítica. E como não poderia? Era perceptível sentir os argumentos de Conway e Lee em cada fala e cena de Peter, ou perceber a dinâmica e velocidade dos desenhos dos Romitas em cada nova sequencia de ação. Aos fãs, aquele era o Aranha dos quadrinhos com seus 40 anos de história vivo, repaginado e sendo ele mesmo. O filme acaba por ser mais que um filme-spandex, era um filme-homenagem à lenda surgida em Amazing Fantasy. Depois de tudo isso como as coisas poderiam dar errado?

Eu falo: anos 90 e fãs imaturos.

Não sai da minha cabeça que toda a culpa de Homem-Aranha 3 não ter fechado de maneira magistral a trilogia partiu dos fãs, daquelas milhares de cartas/e-mails/comentários em blogs que pediam Venon, de Joe Quesada pressionando Raimi para fazer um filme de fãs, do John Dikstra que se mandou pra fazer Hot Wheels e ninguém nunca viu a porcaria do filme de carrinho. A verdade é que, apesar de HA3 ter sido um sucesso de bilheteria (inclusive derrubando o 1º filme), ele tinha ideias boas e ruins. O triângulo amoroso Peter/Mary Jane/Harry conseguiu dar seu passo seguinte e fechar de maneira bem "Marvel" de ser, ver Bryce Dallas Howard sempre é bom, inserir o Homem-Areia foi uma jogada de mestre, deformar e depois matar Harry foi o melhor clímax do filme, mas... e sempre há um "mas"... o uniforme negro parece uma desculpa tão injustificada quanto uma cueca por cima das calças em um cara que é a prova de balas, Flint Marko desaparece tão sem explicação e conclusão que a palavra "coadjuvante" quase se tornou similar a "elenco de apoio", o emo-aranha foi uma prova de que alguém ali realmente não estava em contato com o público que assistia o filme, o pobre Eddie Brock quis ter função no filme, mas nem para ser antagonista de Peter o coitado conseguiu, Harry já tinha esse posto desde o fim de HA2.

Depois de tudo isso, a Sony, proprietária dos direitos do Aranha e seu universo nos cinemas, resolveu dar um tempo e demoraram um bocado pra anunciar um novo filme. Como em time que ganha não se mexe, todo mundo da produção original foi chamado para... nada. As ideias de Raimi não casavam com o novo roteiro e a visão de seus produtores e o material foi cancelado durante alguns dias até ser entregue a Marc Webb que ficou incubido de dar o reboot e revitalizar a franquia. Agora é esperar.

Claro que as aventuras dos personagens Marvel no cinema não se reduzem a isso. Nossa saga de três partes continua na quarta e se encerra na sexta com a estreia de Homem de Ferro 2. Então, comentem e até quarta.

4.22.2010

Entrevista com Vitor Cafaggi

Às vezes eu sou meio chato e importuno as pessoas, fazendo-as pagar micos ou outras coisas só pra divulgarem seus trabalhos ou para se tornarem amigos, contatos, colegas, parceiros ou/e, principalmente, ídolos.

Coisa vai, coisa vem, me deparei certo dia com Vitor Cafaggi e seu Puny Parker. Logo entrei em contato com o cara, escrevi um post sobre seu trabalho e pedi para ele dar uma entrevista. Como Vitor é um cara muito bacana - sério, gente, ele é um dos fãs do Aranha mais legais que eu conheço - , ele me concedeu a entrevista que vocês podem conferir abaixo!

1. O mundo do Pequeno Peter é uma mistura bem ajustada dos vários universos criados para o herói (cinema, linha normal, linha Ultimate, linha 2099), por sinal, você mostra um profundo conhecimento sobre cada um (inclusive citando Sally na tira 18, uma referência a Amazing Fantasy #15). Como você administra isso (quando colocar essa e não aquela versão)? Há uma linha de raciocínio para montar esse mundo ou você só coloca o que acha legal e pronto? E, de fã para fã, como foi seu primeiro contato com o Aranha?

A linha normal de quadrinhos é meu ponto de referência principal. Sempre procuro colocar referências a filmes, desenhos e à linha Ultimate que não entrem em conflito com a linha regular e tento juntar tudo de modo que fique coeso.

Por uma incrível coincidência, quando eu era muito pequeno, minha mãe sempre me deu pequenos presentes do Aranha, eu tive a fantasia, tive uma caneta, algumas revistas da RGE. Quase sempre que eu ganhava alguma coisa de super-herói era do Aranha. Acho que esse foi meu primeiro contato. Mas a revista que me marcou mesmo foi a Homem-Aranha nº 37 da Editora Abril, a história dele contra o Fanático. A partir dela eu comecei a colecionar o Aranha e nunca mais parei.

2. A aparição de MJ e a própria interação dela com o pequeno Peter é diferente de qualquer universo criado para o personagem, exceto o Ultimate, você tomou essa decisão pela repercussão dela em mídias como filmes e a linha de HQs citada? Por que não usar Gwen Stacy desde o início?

Se você reparar bem, eles não tem uma interação. O Peter não sabe o nome da MJ, nem onde ela mora, nem onde ela estuda e nunca trocou sequer uma palavra com ela. Resumindo, ela é só uma garotinha que ele vê na rua. Nas próximas tirinhas vai ficar claro que a MJ não mora com a Tia Anna. Só a visita de vez em quando. Não vou falar muito sobre isso pra não estragar surpresas do final da 2ª temporada e da 3ª. Quando comecei a desenhar Puny Parker, a Gwen era minha namorada favorita dele. Mesmo assim, achei que faria mais sentido que a MJ fosse a "garota da casa ao lado" até pra fazer uma brincadeira com a garotinha ruiva do Charlie Brown. Os únicos personagens que o Peter conhece bem, interage, sabe seus nomes e tudo, são a Liz e o Flash, que eram seus colegas desde o tempo de escola.

3. A história do Pequeno Peter acontece durante a década de 1980, época em que, nos quadrinhos da linha normal, Peter já estava grande (e combatendo bandidos) e na linha Ultimate e filmes ele talvez nem tivesse essa idade. Por que essa década?

O raciocínio foi o seguinte. Peter Parker tem hoje nos quadrinhos aproximadamente 27 anos. É meio que unânime entre os fãs do Aranha que ele tem entre 26 e 29 anos, não é muito menos, nem muito mais do que isso. Pra fazer Puny Parker, eu considerei que, se ele tem de 27 anos hoje, ele passou sua infância na década de 80, certo? Ele começou as tirinhas com seis e atualmente está com sete anos, o que quer dizer que Puny Parker se passa a vinte anos atrás. Até onde eu sei, existem dois erros de continuidade nas tiras. Um é quando em 88 ele canta Candy do Iggy Pop (música lançada em 90) e outro quando a Gwen fala que está vestida de Princesa Peach do Mario, sendo que em 89, a personagem do jogo ainda não era chamada assim.

4. Você coloca várias versões em quadrinhos do Aranha nas tiras, mas vejo poucas alusões aos desenhos que passavam na TV e ao live action (mesmo que este tenha passado durante os anos 1980 no Brasil), você não gostava desses desenhos ou simplesmente não viu oportunidade para citá-los?

Já fiz uma menção ou outra ao desenho Spectacular Spider-Man. E, na terceira temporada, o Homem de Gelo e a Flama vão aparecer. Da série mesmo do Aranha eu lembro muito pouco.. mas, não descarto referências a ela.

5. Suas tiras são muito ricas de referências que, quem não conhece o universo do escalador de paredes, pode se sentir meio deslocado (mesmo com seus comentários em cada post), de qualquer forma, ela é admirada por ambos os públicos. Como você recebe esse retorno, acha legal ou às vezes lê um comentário e pensa "você não deveria estar aqui"?

Acho muito legal isso. Sempre tento escrever as curiosidades de modo que elas não "expliquem a piada" e sirvam mesmo pra trazer informações pra quem não conhece muito sobre o Aranha. Ou, mesmo pra quem já conhece relembrar. Puny Parker é feito pros fãs do Aranha, eles são o público-alvo. Mas fico muito feliz em ver que quem não conhece tanto sobre o personagem gosta também. Por isso tento sempre variar as tiras, fazendo algumas com muitas referências para os fãs e outras sem nenhuma, praqueles que gostam de ver a relação dele com os os tios, os colegas de escola e com a pequena MJ.

6. Por que traduzir como "Incríveis Aventuras" e não "Espetaculares Aventuras" que é como a maioria dos fãs conhecem?

Se fosse hoje eu teria colocado 'Espetaculares' mesmo. Mas na época, coloquei incríveis pra ficar mais próximo de Amazing. Amazing Spider-Man é o principal título do Aranha lá fora. Espetacular é como ele é conhecido no Brasil mas Spectacular nunca teve tanto crédito lá fora.

7. Na tira 14, tio Ben fala no soro do super-soldado, como ele sabia tanto? Pensei que fosse um segredo militar!

Na realidade de Puny Parker, o Capitão foi um grande herói de guerra. Peter conhece tanto sobre ele pelas histórias que o Tio Ben conta e pelo que leu nos quadrinhos. E nos quadrinhos foi revelada a identidade do Capitão, sua origem etc.

8. Como a Liz sabia que Peter era o Ben Reilly? Não há nenhuma referência a isso nas tiras.

Ela não sabia. Ela só queria encontrar um par que irritasse muito o Flash. Se não dava pra ser o tal Ben Reilly, sua segunda opção era o Peter.

9. Adoro a fonte que você usa nos quadrinhos. Qual o nome dela?

Ela chama Creative Block. Gosto muito dela também. O único problema é que ela não tem acentos... eles tem que ser feitos à mão depois.

10. Como você colore as tiras? Usa Photoshop e tablet ou faz à mão e depois dá retoques no Photo?

Elas são coloridas com lápis de cor logo depois que eu termino a arte-final. Depois, no Photoshop eu termino de colorir com o mouse mesmo.

11. Ok, foi em julho do ano passado, mas eu queria abrir um comentário sobre seu post "Off", meio "500 dias com ela". Bem, há um Puny Parker em todos nós, mas não nos damos tão bem com garotas como ele... (ok, eu me dei bem, mas demorou um pouco...)

Com certeza! Nem todo mundo se casa com super modelos.. Eu adoro esse filme!

12. Ainda dá tempo de fazer o bonequinho e mandar?

Claro! em junho entram novas fotos dos cubeecrafts do Puny por aí.

13. Ainda não entendi bem o que você faz fora do Puny Parker. É professor de desenho ou de inglês? hahahahahaha... brincadeira, só fiquei impressionado com a qualidade de seu inglês. Eu fui professor de línguas e achei legal você colocar as tirinhas bilíngues, alcança um público maior e dá mais chances pro pessoal procurar os quadrinhos originais, bem como ajuda no aprendizado para aqueles que estejam em cursos de inglês ou na escola.

Eu sou professor de desenho. Nunca fiz nem curso de inglês, não daria certo como professor disso. haha

Aprendi a língua vendo filmes, ouvindo música, lendo revista. Tem um amigo meu americano, o Steve, que sempre lê minhas tirinhas em inglês antes que eu publique. A maioria das vezes, ele acha um erro ou dois nelas.

14. Devo confessar que seu post de setembro de 2009 sobre MSP 50 me deixou emocionado. Assim como você sempre gostei e quis trabalhar com quadrinhos e por causa disso eu sou escritor. Por muito tempo tenho tentado reduzir minha carga horária de trabalho para produzir histórias, mas por conta de uma coisa ou outra que invade nossas vidas não pude, então escrevo com o horário que eu tenho, muitas vezes acordando mais cedo, dormindo mais tarde ou mesmo sacrificando uma hora do final de semana com minha namorada para escrever, sentar com desenhistas e propor uma ideia e desenvolver algum projeto, sempre a passos lentos e muitas vezes impensáveis, mas nunca abandonando o sonho. Se você se vê como Puny Parker, eu me vi como você após este post. Se eu já era seu fã, agora sou bem mais.

Legal saber disso, cara. Realmente, não é fácil conseguir tempo pra se dedicar a isso. Mas, se a gente não conseguir esse tempo pra correr atrás dos nossos sonhos, só vamos poder ficar lamentando disso depois. O negócio é se organizar de algum jeito pra poder tomar essa atitude de uma forma mais segura. No meu caso, quando eu decidi largar meu principal emprego, eu trabalhei por um ano e meio, todos os dias de oito da manhã até as dez da noite. Sendo que de sete às dez eu trabalhava em outra cidade. Domingos eu fazia freelancers de ilustração. Com essa ralação toda consegui fazer uma poupança que me deixou mais seguro pra correr atrás de desenhar quadrinhos.

15. Você não acha Miguel O'Hara o nome mais legal já criado num quadrinho?

hahaha. Nunca parei pra pensar nisso..

16. Li sua entrevista para o Almanaque 02. Poxa, pensei que só eu tinha ido ver HA seis vezes no cinema!

Seis vezes o primeiro, três o segundo (que é o meu favorito) e três o terceiro.

17. Você tá lendo o Aranha ultimamente? O que tem achado dele?

Eu tô adorando a fase atual do Aranha! A melhor em muitos anos. Nem todas as histórias são ótimas, claro. Mas, no geral, tá com aquela cara que as revistas do Aranha tinham na época do Roger Stern e John Romita Jr, minha fase favorita do Aranha.

18. Partindo para um papo mais fã, até agora a Marvel não te chamou para escrever para eles, mas se eles convidassem para assumir o personagem, o que você gostaria de escrever sobre ele? Continuaria com o Puny ou entraria com tudo na versão adulta?

As duas coisas! Se me chamassem pra escrever ou desenhar a revista do Aranha ia ser o sonho da minha vida realizado. Se quisessem publicar as tirinhas do Puny, ia ser o outro sonho da minha vida realizado.

19. Pra fechar, o que você tem feito ultimamente além do Pequeno Peter e quais são seus outros planos? (Cara, manda uma mensagem pra seus leitores cearenses também. A galera aqui te adora).

Tenho vários projetos engatilhados pra esse ano. Pequenos Heróis, uma homenagem aos heróis da DC, do escritor Estevão Ribeiro, deve sair esse ano. Ao mesmo tempo, já começo a trabalhar em Pequenos Heróis 2, dessa vez com os heróis da Marvel. Tenho uma revista com personagens meus que está sendo produzida desde o ano passado pra ser publicada esse ano. Seja por uma editora ou de forma independente. E tenho alguns outros projetos que eu não posso comentar muito ainda por estarem bem no começo. Mas, uma coisa é certa, esse ano eu tô trabalhando muito! Não posso reclamar.

E aos leitores cearenses do Puny Parker, aquele abraço e meu muito obrigado!

Vitor Cafaggi é mineiro e desde 2008 publica a tirinha "As Incríveis Aventuras do Pequeno Parker" em seu blog (link em nossa aba de links). Foi convidado pela Maurício de Sousa Produções como um dos desenhistas a escreverem suas versões da Turminha (ele escolheu o Chico Bento e é sua HQ que encerra a revista) no MSP 50. É um cara simpático e hiper bacana, além de (obviamente) ser um grande fã do Aranha, que teve a bondade e honra de abrir nossa sessão de entrevistas!

Valeu, Vitor e esperam por mais galera!

4.20.2010

Com Grandes Poderes...

Já não sou um colecionador como antes, mas isso nunca me impediu de ser um comprador de quadrinhos. Seja assíduo ou não. Atualmente, tento comprar um quadrinho por mês seja de coisa nova ou antiga. Para não comprar gato por lebre eu me apoio em resenhas de sites espcializados e (ok, me crucifiquem) scans. Quando uma resenha não parece satisfatória para mim, ou há muitas resenhas divergentes sobre um determinado título, eu baixo o material ainda em inglês, leio algumas páginas ou a primeira edição no caso de séries, para enfim tomar a decisão de comprá-la.

Também não sou mais leitor do Aranha. Depois do "dia a mais/novo dia", nada feito em seguida me atraiu (o que logicamente não quer dizer que este "após" seja ruim), então é muito difícil eu comprar material novo do Cabeça-de-Teia. Vivo de edições e arcos antigos além de uma coleção de scans que acho importante ter, tanto em inglês como em portugês, como bilbioteca e catálogo eletrônicos. Assim, sempre que quero comprar algo verifico na minha "lista", saiu à caça em sebos e vou refazendo minha coleçãozinha querida.

Da mesma forma, não sou lá muito fã de colecionáveis. Não pela qualidade do produto, mas por causa do preço. No entanto, sempre que posso compro um ou outro. Por causa disso sinto-me meio culpado por não ter algumas "Bibliotecas Histórias" (calhamaços de antiguidades lançados pela Panini), mas tenho alguns "Maiores Clássicos", como "A Última Caçada de Kraven" (história que acho necessária à estante de qualquer fã aracnídeo) e "A Morte de Gwen Stacy" (que também dispensa apresentações).

Nota-se que sou um fã de velharias. Por conta disso não fico lá muito à vontade com releituras da origem. Mesmo porque, o Aranha é o herói Marvel que constumeiramente é escolhido para testar a editora em outra mídia (se não, é os X-men). Foi o primeiro em um encontro Marvel x DC, foi o primeiro a ter um live-action no Japão (salvo enganos meus, também foi o primeiro a ter uma versão mangá), foi o primeiro na linha Ultimate, primeiro em alguns desenhos pra TV... O mundo está cheio de releituras da origem do HA, e quem acompanha tudo isso já tá meio de saco cheio de ver o moleque sendo picado pela aranha, se retorcer, depois saltar e se fixar numa parede.

Quando Marvel anunciou sua linha MK (Marvel Knights) com releituras de pedaços das vidas de suas lendas, foi meio previsível saber que o Aranha estava nessa listagem e mais previsível ainda que ele seria o primeiro a ser explorado na linha. Assim, fiquei desinteressado pelo meu personagem de quadrinhos favorito em "Spider-man: With Great Power...", apesar de me interessar em ler os outros. Quando li a resenha do quadrinho no Comic Book Resources, passei direto e nem liguei muito para o que eles disseram lá, tamanho minha falta de vontade de ter contato com o material.

Mas aranhas são insistentes.

Um dia em um site que não me recordo, li o comentário de um leitor de scans acerca da obra. Era algo tipo "adorei, acho que vou importar para ter a versão em inglês". Para um scan-reader dizer isso algo diferente tinha naquilo e, inicialmente retiscente, comecei a pesquisar sobre a revista, evitando baixar sua versão pirateada, dando crédito à força do personagem, mas pouco consegui além daquele comentário e novamente deixei para lá uma possível aquisição.

Quando a Panini anunciou sua suposta revolução, decidi dar uma olhada nas assinaturas e vejam minha surpresa ao ver que a aquisição de um pacote Marvel dava direito a um exemplar gratuito da revista. Quase ri. Para mim era a prova de que precisava para considerar o material ruim, já que não vejo uma edição boa sendo dada como um "brinde" por uma assinatura de quase 70 reais. Mais uma vez a novidade da releitura caiu no meu senso comum de que ver Peter se transformando no amigão da vizinhança de novo era chatice demais para um fã.

Mas Parkers são persistentes.

Quase sem querer, em um atribulado dia entrei no twitter e me deparo com um review do Universo HQ sobre o quadrinho "Homem-Aranha: Com Grandes Poderes...". Abri a página, mas só fui lê-la umas 2 horas depois e devo me dizer que me impressionei com a nota 4,5 do site. Acho o pessoal do UHQ meio xiita, fãs do que foi bom e eternos "levanta-garfos" do que tenta ser muito novo. Besteira minha. Eles gostam do que é bom e nem sempre o que é bom é o que a maioria das pessoas gosta (e nisso eu também me incluo). Enfim, o 4,5 dado pelos caras me chamou a atenção. Bem... eu comprei a maldita e perseguidora revista.

Um Parker com poderes é um universo a ser explorado.

Capa dura, papel de qualidade, impressão de primeira. Os R$19,90 pareciam valer a pena, mas até ler o material, eram somente R$19,90 gastos com papel colorido (na verdade só R$18, pois minha banca me dá desconto). Ainda bem que foi mais que isso.

Não conheço o roteirista, David Lapham, o cara é mais conhecido por Balas Perdidas, uma HQ que nunca pus a mão. Tony Harris (desenhos), por sua vez, é um cara sempre revisitado por mim em Ex-Machina. Ambos possuem falhas nesta revista. A voz narradora de Lapham é mais confusa que emotiva e acaba sendo um incomodo em alguns momentos, a tradução nacional não ajuda, há erros chatos e adaptações sofríveis (sou tradutor e corretor, sei do que p#$$@ eu tô falando) e Harris não perdeu a mania de deixar seus personagens estrábicos em um quadrinho ou outro (duvidam de mim? Prestem atenção melhor). As primeiras duas histórias parecem mais um episódio de "The OC" com dublagem SBT com uma tentativa pretensiosa de se fazer um flashback só pra por a roupa vermelha e azul pra galera saber que existe um HA ali e eles podem comprar a revista.

Mas, assim como os Parkers, os autores evoluem.

O roteiro pega corpo com o passar dos capítulos e o "pretensioso" se torna "premissa" encorpada e muito bem apoiada em uma única e veloz página da Amazing Fantasy que apresentou ao mundo um de seus mais populares heróis. A história de origem se torna então a história de "um moleque aprendendo a tirar proveito de suas espetaculares habilidades" e só há uma coisa a dizer sobre isso: muito bom.

Vou ser franco. Não é a melhor história do Aranha, nem a mais bem desenhada, ou a mais tocante, nem sua melhor releitura, mas é muito boa mesmo assim. Digo pelas escolhas de contexto e situações: o ambiente de luta-livre, um moleque querendo ser mais que mais um moleque e, ao mesmo tempo que se deixa seduzir por toda aquela novidade, luta com a própria consciência para ser melhor aos tios-pais que o amam, um herói que ainda nem entende o que é ser isso. É um quadrinho humano como toda HQ de super-heróis deveria ser. É um quadrinho Parker.

Como já dito o contexto é de Peter aprendendo a usar os poderes ao mesmo tempo que tenta tirar proveito deles. Se torna uma celebridade por usar suas habilidades em lutas-livres e depois na TV. O tímido Peter se tornando o jocoso Aranha é um dos pontos altos da história, seu envolvimento ingênuo dentro de um mundo perigoso e por vezes amoral que é o show business é algo bem cinematográfico, a aparição de outros heróis dão sustentação a um personagem que ainda não sabe o real poder que tem. Todos os elementos são bem apresentados e funcionam harmonicamente para seu clímax e fim, aquele que todos já esperam e que mesmo assim consegue supreender sem macular a lenda de Stan Lee. Sim, há um teste de radioatividade e uma aranha, há um bordão que foi dito e ainda não entendido, há um ladrão que não foi pego, há carros da polícia em frente a uma casinha em Forrest Hills, mas tudo ainda assim vai te surpeender.

Também engulo o que disse sobre Lapham. Ele escreve como um fã do Aranha (mesmo talvez não o sendo), ele respeita os fãs clássicos de um jeito cavalheiro. Apesar de essa origem acontecer nos dias de hoje, ela funcionaria para os anos 60 simplesmente apagando duas frases e refazendo dois desenhos no Photoshop, sem intervenção dos autores e isso valoriza e mantém a imortalidade e eternidade literária do personagem, algo que agradeço como fã e respeito como estudante de literatura.

Ok, Harris ainda desenha estrábicos, mas isso é pouco se compararmos todo o grande trabalho de caracterização que ele fez. Os não-mascarados são expressivos e vivos, seu Homem-Aranha é dinâmico e ágil. Nada há nada que desagrade aos fãs (bom, talvez o cachimbento tio Ben e o semi-careca Flash).

Obras como essa são oásis em meio a um deserto de ideias e originalidade que ao meu ver tem surgido no título sequencial do Aracnídeo. Sustentar um roteiro "reconta-a-origem" sobre Parker e seu alter-ego sem apelar para coadjuvantes de peso como os Osborns e Mary Jane ou Gwen Stacy é... bem, espetacular.

Aqui eu não gosto de dar notas ao que eu leio, mas vou hipocritamente aferir conceitos. Assim, trataria "Homem-Aranha: Com Grandes Poderes..." como bom, nem excelente, nem regular, nem ruim. Um que vale à pena ter em sua coleção, mas não a macularia não o ter. Então, comprem e leiam!

4.15.2010

Fazendo um Quadrinho Independente Parte 1

Há muito sempre quis fazer quadrinhos, mas depois de vir para Fortaleza e vender todos os meus gibis para pagar meu material de estudos (nem valeu tanto a pena...), senti que alguma coisa da minha habilidade de desenhar morreu entre as vendas de minhas coleções do Homem-Aranha e A Espada Selvagem de Conan, por isso decidi desistir de vez. Durante meu ensino médio acabei descobrindo que havia algo de escritor em mim, assim comecei a esboçar contos e outros textos menores, enquanto, mesmo sem minhas coleções, não abandonei o mundo dos quadrinhos, mas me mantive como leitor casual, mantendo uma distância desagradável e uma proximidade insatisfatória.

Parecia que meu sonho de trabalhar com quadrinhos havia se perdido dentro de mim, então assisti Homem-Aranha nos cinemas.

Algo em meu coração pareceu palpitar e senti que meu sangue de novo estava misturado à atomicidade do spandex, realterando meu DNA ao estado que considero original. A chama dos quadrinhos tinha voltado com força e meu desejo em produzir algo relacionado ao gênero saltitou de meu coração como ricochete.

Sabia que precisava fazer um quadrinho imediatamente, mas minhas habilidades com desenho já ruins se tornaram piores após tanto tempo sem treino e ensino adequados. Minha escrita, no entanto, foi aos poucos se lapidando com a prática e revisão constantes. Não estava longe de se tornar aceitável (por mais que ainda tenha de caminhar muito para ser excelente) e após uma overdose de boas referências cartunadas (que iam desde o Aranha de Lee e DeMatteis, passando por Evangelion de Sadamoto até as ficções científicas de Ellis sem esquecer o melhor do verdadeiro cartun como Schulz e Waterson, além, lógico de tudo que eu pudesse conseguir de Eisner), cinematográficas (muita coisa de ação e aventura de 1970 até 1980, alguns policiais de 1990, até Pixar e Chris Nolan), e livros (Asimov, K. Dick, Machado de Assis, entre outros que não cabem aqui) eu fui aos poucos desenvolvendo uma coisa ou outra, testando um modelos, verificando coisas eletrônicas, impressas e o que mais eu pudesse ter em mãos que me ajudasse a treinar e desenvolver uma narrativa mais coesa, simples e atrativa (lógico que não vou garantir que já estou assim, mas a gente vai aprendendo e tentando...).

Mas quadrinhos não são só textos. Artistas do traço fazem-se necessários. Logo em minha primeira tentativa percebi isso, então comecei a desenvolver enredos para o dia em que este (ou estes) aparecesse.

Minha primeira tentativa de trabalhar com desenhistas veio de minha própria casa. Leônidas Medina, um primo que há muito estava distante, havia retornado ao seio de seu lar em Fortaleza depois de uma longa temporada morando em Limoeiro (lar de Ed Benes, desenhista de Birds of Prey, para quem não sabe) e seu traço parecia bem desenvolvido. Percebi talento no menino e insisti aos meus tios que o colocassem em cursos que aprimorassem suas qualidades. Assim, ele participou do Curso de Desenho do Daniel Brandão (mas por graça de Daniel que por ajuda da família) e do Curso de Animação da Casa Amarela. Fizemos alguns projetos juntos, mas sua disposição para quadrinhos era mais um passatempo que uma paixão e se perdeu para a eterna elaboração de personagens das mesas de RPG que ele participa.

Minhas esperanças pareciam definhar e, como no final de As Duas Torres, eis que Kaléo surge.

Kaléo se tornou uma das melhores parcerias que tive a sorte de fazer. Além de ser um cara "super" legal, por mais "aéreo" que possa ser vez ou outra, é uma das pessoas mais profissionais que já vi na vida e isso possui, obviamente, vantagens e desvantagens, mas no geral, nosso relacionamento e entrosamento é bem bacana: ouvimos as ideias um do outro, conversamos sobre novas e sugerimos mudanças, sempre sabendo que um e outro não são parte do processo, mas os dois juntos são todo o projeto.

Inicialmente a ideia do quadrinho não foi minha. Através de idas e vindas da internet, Kaléo se deparou com um cara dizendo que quadrinhos nacionais são uma porcaria blá, blá e blá, por isso a revolta veio a seu coração e ele decidiu ele mesmo fazer um quadrinho e, ao descobrir que suas capacidades literárias não eram as mais favoráveis a sua própria crítica, resolveu me chamar para cuidar disso.

Já podem imaginar minha resposta.

Tenho trabalhado com esse quadrinho com o Kaléo a quase dois anos. A gente conversa sobre a história, publicidade, promoções, fazer e refazer a história, convidados, pessoas que ajudam com suas avaliações entre outras milhares de coisas. Tudo parece tão completo e profissional que chega a assustar. Mas em um momento veio em nossas cabeças: "Ué? Quem conhece a gente? Como as pessoas vão se interessar por todo esse trabalho se a galera nem sabe quem a gente é?".

Foi então que o Caio apareceu e surgiu o KIMOTA! Podcast. Mas isso é papo para o próximo post.

4.09.2010

Criando um Ambiente Animado

Acho que desde que me entendo por gente sou fã de animação. Assim como muitos que tiveram sua infância na metade de 1980 e começo de 1990 as manhãs eram recheadas de desenhos trazidos pela Xuxa, Mara Maravilha, Bozo, Vovó Mafalda, Sérgio Malandro (ele tinha programa com desenhos animados, não tinha?), enquanto as tardes eram com a turma do Japão, Jaspion, Changemen, Flashmen, Maskmen, Black Kamen Rider (p&##@, eu adorava esses dois últimos. Realmente queria vê-los de novo). Ou era mais ou menos isso que minha memória deixa eu lembrar (qualquer errata, por favor, me informem).

Apesar de toda esa diversidade, acho que o que mais me chamava a atenão eram as animações da Warner, Looney Toons, depois os Tiny Toons, Pica-Pau (que a Record fez o favor de trazer de volta com sua dublagem nacional original), Disney (os manuais de "Como Fazer" do Pateta são algumas das melhores lembranças de minha infância em frente a TV), Hanna-Barbera (ainda hoje sou doente pelo Manda-Chuva) e Tom & Jerry (que, se bem me lembro de minha época de KIMOTA!, passou por tantas produções e produtoras e estúdios que pode ser dividido em "eras" facilmente) entre tantos outros (porque se eu fosse ficar aqui citando ia cair em Muppet Babies, He-Man, Thundercats, Bogo, Smurffs, Ursinhos Gummy e seria um blog só pra essa galera).

Acho que, como muitos, sempre fiquei interessado em saber como se dava esse processo de transformar desenhos em coisas que falavam, movimentavam, iam, viam, viravam isso, aquilo, esticavam, comprimiam, partiam, se montavam, explodiam (viva a mattanza) e por aí vai. Depois que eu conheci meu amigo Kaléo (sim, esse é o nome dele mesmo), eu aprendi um pouco mais sobre o processo. Hoje sei o que é in between, frame e tudo mais.

No entanto, nem todo mundo tem um Kaléo ao dispor o tempo todo.

Assim, se vocês querem saber um pouco mais sobre o processo de se criar uma animação, todos os passos desde o desenvolvimento dos personagens, criação de roteiro, dificuldades de produção e de obtenção de material, trago um link novo para vocês, o blog do Maxwell.

Maxwell é um dos desenhistas e animadores da Casa Amarela Eusélio Oliveira, um núcleo de vídeo e animação ligado à Universidade Federal do Ceará (mais informações aqui). Atualmente ele está desenvolvendo um curta chamado "O Urso Despolar" e decidiu apresentar o processo para o mundo através de seu blog.

Maxwell (o cara da foto) é um grande artista. Com traços típicos da animação, ele faz com que lembremos de Tom & Jerry da era Chuck Jones quando desenha animais, porém com um tom mais moderno. Ao ver seus personagens humanos, no entanto, a fluidez e unidade de seu desenho mostram que ele não é uma mera cópia do passado, mas algo novo e único, com a cara de seu autor.

No seu blog é possível ver os primeiros sketches e desenvolvimento dos personagens, bem como detalhes do processo de animação em seus primeiros estágios, demonstrando toda a preocupação e cuidado que se tem ao se estar em um projeto como esse, tendo uma equipe grande ou não. Eu faria, no entanto, uma crítica um pouco mais dura a Maxwell (que , por sinal, eu conheci pessoalmente e posso dizer que é um cara muito legal), dizendo que ele precisa fazer uma revisão em seus textos a fim de deixá-los mais claros. De resto, só em estar bem próximo a tudo isso já é deveras fascinante.

Como já disse antes, este blog serve (também) para divulgação e é muito do que tenho feito até agora (já falei sobre o Cafaggi e agora Maxwell). Admiro muito essa galera que mete as caras no mundo, participa de editais ou iniciam seus blogs e depois se tornam conhecidos (Cafaggi, só com o Puny Parker já foi chamado para o MSP 50 e Maxwell teve seu projeto escolhido entre outros 167 de todo o Brasil). Muitas vezes eles fazem essas coisas sozinhos! Caramba! Isso é muito legal!

Por isso que o Z&A está aqui, para admirar sempre trabalhos assim. E agora o urso do Maxwell está aqui. Confiram!

LEIAM, ASSISTAM E FAÇAM QUADRINHOS E ANIMAÇÕES SEMPRE!

Criando Equipes Criativas ou como Ganhar o Grande Público usando Pouca Gente e Boas Ideias

Homem de Ferro 2 estreia em pouco tempo. Só um completo abestado não notaria que se não fosse por seu ilustre diretor, Jon Favreau, uma mente criativa que sabe por os pés no chão quando o assunto é fantasia (super-heroica ou não), possivelmente teríamos um filmezinho mais ou menos ou mais um "Nick Fury - Agente da Shield". O que a Marvel fez, então? Catou o cara para suas linhas de ataque cinematográfico e o homem se tornou não só uma figura de respeito lá dentro, como um dos produtotes do tão esperado Avengers.

Pudera. Favreau se mostrou melhor do que esperado. Transformou um dos personagens mais "regulares" da Casa das Ideias no protagonista de um dos melhores filmes de super-heróis depois do bom retorno destes ao cinema. Mostrou que fazer um filme baseado em HQ não necessariamente deve incluir roupas pretas, tons de sépia e roteiros obscuros e tristes. Definiu o universo do Lataria e abriu espaço para um monte de uniformizados fodas. Pra fechar, de quebra, o cara trouxe de volta e alavancou a carreira de um dos melhores atores dos anos 80, Robert Downey Jr., que quase se perdia no meio das próprias confusões de drogas, álcool e um monte de outras merdas.

(fora que o DVD duplo do Ferroso é um dos mais legais do gênero)

Há algumas semanas Christopher Nolan, o deus que ressuscitou o Batman de um Hades Schumaquiano cujo retorno parecia possível somente com a intervenção de Kratos, o come-rabos espartano, foi anunciado pela DC Entertainment e Warner como uma das mentes que ajudariam a refazer o Superman nos cinemas antes que os filhos dos criadores abocanhem a obra de vez e antes que a franquia desça ralo abaixo.

Pra motivo de lembranças, Chris Nolan é o diretor do bem dosado Batman Begins, do visceral Batman Dark Knight, além de ser considerado um dos diretores mais criativos e, para mim, ter feito o 2º mais legal filme de mágico que eu já vi na vida (o primeiro é uma animção da Pixar que passou antes de Wall.e - tá no DVD).

Bem, as notícias já conhecidas por todos foram pra justificar umas coisas que o mainstream tem aprendido em casa e levado para a indústria de cinema: equipes criativas pequenas e coesas fazem obras grandes e coesas.

No mundo dos quadrinhos, sempre que equipes pequenas cuidavam dos universos as coisas iam pra frente. A Marvel meta-humana era, praticamente, Stan Lee e Jack Kyrbe, os mutantes eram só Chris Claremont e John Byrne e acho que quem leu gibis dessa época não tem muito o que reclamar. Atualmente, Bendis e Quesada controlam a Marvel, mesmo que em suas mãos tenham caras de estirpe como Brubaker, Millar, Whedon, são os dois que decidem o que deve ser feito ou não (Parker e Strazinsck que não me deixam mentir) e, fora os já citados pesares, as coisas estão indo até bem (ok, não é lá uma Brastemp, mas já foi muito pior...).

Veja bem, apesar de uma ruma de gente participar disso, citei equipes criativas pequenas (ou grandes com mentes-chaves cuidando de tudo).

Sobre a Digníssima Concorrência não posso dizer muito (tudo sempre me pareceu extremamente desorganizado por lá em termos de HQs), mas atualmente o que escuto sobre eles são setores menores que aparentemente se comunicam bem e tem equipes precisas e fixas, como os lanternas de Geoff Johns, o morcego do Morrison e futuramente o Super-cueca do Strazinsck (responsável por uma ótima fase do Thor).

Essas são estratégias para que os personagens e suas histórias não se percam em milhares de ramificações trabalhadas por milhares de pessoas com milhares de visões diferentes que acabam gerando milhares de megassagas menores que deixam os leitores perdidos aos milhares com essas malditas linhas do tempo editoriais!

(Tá certo, as coisas não são bem assim, ainda há milhares de títulos e retcons que bugam tudo, mas convenhamos, nada se compara aos anos 90 - ave Maria 3 vezes, ave Maria 3 vezes, ave Maria 3 vezes! Bate na madeira e pede perdão dos teus pecados por ter citado essa década maldita!)

Agora as obras no cinema entendem como um mundo de super-heróis deve funcionar: junta uns dois a três caras que entendem os personagens, suas histórias e estruturas e deixem os caras pensar e decidir quem cuida do que, mantendo sempre uma proximidade editorial que sempre os lembre onde estão e com quem estão tratando (a máfia trabalha assim, acho que nunca deu lá muito errado...).

Favreau (e arrisco dizer, Leterrier) decidiu que filme Marvel tem de ser alto astral com muita aventura e ação. Nolan foi na direção quase oposta, mas não vou arriscar que toda DC tem de ser igual ao seu Batman, sombrio, mas também cheio de ação. O Lanterna de Reynolds vai nos dizer que outros caminhos a editora pode alcançar nos cinemas.

Uma coisa é verdade, no entanto, "não se mexe em time que tá ganhando", ou melhor, artilheiro bom não sai da casa, só ganha mais trabalho. Tiraram o Synger de X-Men, olha as merdas que deu (tanto pros mutantes quanto ao Super), agora chamaram ele de volta - talvez o trem entre no trilho de novo. Bem, o futuro dos supers no cinema vai nos dar uma melhor resposta.

4.06.2010

Novo Link: Puny Parker


Como fã (até antes da saga "One more day" incondicional) do Homem-Aranha, faço questão de acrescentar mais um blog à minha lista de links, o "The Amazing Adventures of Puny Parker" ou "As Incríveis (Espetaculares) Aventuras do Pequeno (Fracote) Parker".

O blog é um conjunto de tiras que contam de maneira divertida a história da infância de Peter Parker, o menino que vai se tornar o escalador de paredes mais popular do mundo. As tiras são recheadas de referências ao personagem, seu universo, algumas poucas às outras áreas da Marvel e criadores, se tornando uma delícia aos fãs mais clássicos. Elas, no entanto, situam o kid Peter em uma infância na década de 1980 (a primeira aparição do Aranha é de 1962 e ele tinha entre 15 e 17 anos), decisão tomada possivelmente por conta de sua popularidade na época (dada por duas séries animadas e possíveis reprises do live-action de 1978-79, ao menos nos EUA), o que em nada atrapalha sua continuidade, pelo contrário, acho que isso é um diferencial para muitos fãs, principalmente os brasileiros.

Seu autor, o mineiro Vitor Cafaggi, é um desenhista excelente. Sabe dosar simplicidade e expressividade como poucos e sua decisão de colocar os desenhos com linhas azuis, lembrando mais o esboço, foi de mestre. Sua narrativa é fluida e leve, mas o tom dos finais das tiras são mais "bonitinhos" e "contemplativos" do que realmente cômicos, o que atrairia mais os fãs experientes do Aranha que novos leitores, mesmo assim, o autor é uma mente única entre tantos fanfics por aí.

As tiras também possuem um diferencial: estão em português e inglês, todas bem corretinhas (você, professor de línguas, que quer aproveitar a onda de supers no cinema e fazer atividades para seus alunos já tem uma tira que é sucesso na certa!). Alguns poucos erros dentro do universo aracnídeo podem ser encontrados, nada grave ou repetitivo, mas quem é fã a mais tempo vai perceber. De resto o blog é um deleite a bons paladares leitores e se tornou um dos que o Z&A vai seguir e disponibilizar o link para todos.

Vejam a review do site pela galera do HCast:
Punny Parker por HCast

4.05.2010

O Z&A Comic Code


Vocês devem ter percebido o símbolo no header ao lado do desenho do Blacksad. Alguns mais antigos e outros que conheçam um pouco de história devem lembrar bem o que ele significa. Àqueles que não sabem, cabe a explicação.

Há muito tempo atrás quando as grandes editoras já estavam firmadas, mas tinham concorrentes bem mais fortes que os atuais, e os quadrinistas estavam em um processo desordenado de ebulição de ideias, um homem chamado Dr. Fredric Wertham escreveu um livro sobre como as HQs destruíam as crianças, base mais importante da égide familiar.

Neste livro, de título Seduction of the Innocent, ele "desnudava" os significados por trás de histórias de super-heróis, de contos de terror e de aventureiros e outros personagens clássicos dos gibis. Foi ele o primeiro a dizer em público que o Batman, depois de sua estressante ronda, relaxava seu morcego brincando com o pardalzinho do Robin.

As editoras, então, preocupadas em não tornar infantes em deliquentes e com seus lucros (tanto em perdê-los quanto em fazer com que outros não o tenham - vide caso da EC Comics) criaram o Comics Code Authority, medida preventiva que dizia que quadrinhos podiam ser lidos por qualquer um ou não. Por isso, muitas HQs da época saiam com o selo do CCA (que vocês podem ver ipse literis no header deste blog).

Pior do que a proibição, o CCA criou o preconceito. Assim, muitas crianças e jovens foram privados de boas (e algumas más) histórias porque seus pais não os permitiam comprar revistas sem o famigerado selinho. Bons autores também tiveram portas fechadas em suas caras por conta de suas ideias "ousadas", o que, no final das contas, só contribuiu para a criação das underground comix.

Hoje em dia não sei dizer se o selo ainda existe - sua última informação em meus dados remonta de 2001 (desculpa, gente, acabei não fazendo uma pesquisa melhor) - mas a verdade é que a maioria das editoras, principalmente as grandes, já chutaram o CCA pra bem longe (vide Vertigo da DC e algumas coisas da Marvel, como Foolkiller, Justiceiro, Wolverine etc.) e elas colocam o que querem em suas revistas como nudez, sexo, linguagem chula, rasgação, decepação, dilaceração e outras coisas de fazer Kratos, o detona c* greco-divino, ter orgamos múltiplos (ok, ok, os comics não estão tããão absurdos assim, mas estão caminhando para).

Enfim, o assunto real deste post. Como forma de celebrar a queda dos preconceitos, de satirizar a inocência de mentes visivelmente pervertidas, e de incentivar sempre a modernização da narrativa gráfica nunca esquecendo que é necessário sim relembrar o passado tanto para aprendermos quanto para não repetir os erros de outros, o selinho da CCA estará aqui nesse blog e ficará enquanto todos entenderem seu significado e prezarem sua inexistência como um símbolo de que ideias e pessoas não podem ser paradas, mas permitir qualquer coisa é se usar de maneira completamente irresponsável do poder (e da liberdade) que temos.

Mais informações sobre o Comics Code em (ambas em inglês):
http://lambiek.net/comics/code.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Comics_Code_Authority

NUNCA DEIXEM DE LER OU PRODUZIR QUADRINHOS!