4.09.2010

Criando Equipes Criativas ou como Ganhar o Grande Público usando Pouca Gente e Boas Ideias

Homem de Ferro 2 estreia em pouco tempo. Só um completo abestado não notaria que se não fosse por seu ilustre diretor, Jon Favreau, uma mente criativa que sabe por os pés no chão quando o assunto é fantasia (super-heroica ou não), possivelmente teríamos um filmezinho mais ou menos ou mais um "Nick Fury - Agente da Shield". O que a Marvel fez, então? Catou o cara para suas linhas de ataque cinematográfico e o homem se tornou não só uma figura de respeito lá dentro, como um dos produtotes do tão esperado Avengers.

Pudera. Favreau se mostrou melhor do que esperado. Transformou um dos personagens mais "regulares" da Casa das Ideias no protagonista de um dos melhores filmes de super-heróis depois do bom retorno destes ao cinema. Mostrou que fazer um filme baseado em HQ não necessariamente deve incluir roupas pretas, tons de sépia e roteiros obscuros e tristes. Definiu o universo do Lataria e abriu espaço para um monte de uniformizados fodas. Pra fechar, de quebra, o cara trouxe de volta e alavancou a carreira de um dos melhores atores dos anos 80, Robert Downey Jr., que quase se perdia no meio das próprias confusões de drogas, álcool e um monte de outras merdas.

(fora que o DVD duplo do Ferroso é um dos mais legais do gênero)

Há algumas semanas Christopher Nolan, o deus que ressuscitou o Batman de um Hades Schumaquiano cujo retorno parecia possível somente com a intervenção de Kratos, o come-rabos espartano, foi anunciado pela DC Entertainment e Warner como uma das mentes que ajudariam a refazer o Superman nos cinemas antes que os filhos dos criadores abocanhem a obra de vez e antes que a franquia desça ralo abaixo.

Pra motivo de lembranças, Chris Nolan é o diretor do bem dosado Batman Begins, do visceral Batman Dark Knight, além de ser considerado um dos diretores mais criativos e, para mim, ter feito o 2º mais legal filme de mágico que eu já vi na vida (o primeiro é uma animção da Pixar que passou antes de Wall.e - tá no DVD).

Bem, as notícias já conhecidas por todos foram pra justificar umas coisas que o mainstream tem aprendido em casa e levado para a indústria de cinema: equipes criativas pequenas e coesas fazem obras grandes e coesas.

No mundo dos quadrinhos, sempre que equipes pequenas cuidavam dos universos as coisas iam pra frente. A Marvel meta-humana era, praticamente, Stan Lee e Jack Kyrbe, os mutantes eram só Chris Claremont e John Byrne e acho que quem leu gibis dessa época não tem muito o que reclamar. Atualmente, Bendis e Quesada controlam a Marvel, mesmo que em suas mãos tenham caras de estirpe como Brubaker, Millar, Whedon, são os dois que decidem o que deve ser feito ou não (Parker e Strazinsck que não me deixam mentir) e, fora os já citados pesares, as coisas estão indo até bem (ok, não é lá uma Brastemp, mas já foi muito pior...).

Veja bem, apesar de uma ruma de gente participar disso, citei equipes criativas pequenas (ou grandes com mentes-chaves cuidando de tudo).

Sobre a Digníssima Concorrência não posso dizer muito (tudo sempre me pareceu extremamente desorganizado por lá em termos de HQs), mas atualmente o que escuto sobre eles são setores menores que aparentemente se comunicam bem e tem equipes precisas e fixas, como os lanternas de Geoff Johns, o morcego do Morrison e futuramente o Super-cueca do Strazinsck (responsável por uma ótima fase do Thor).

Essas são estratégias para que os personagens e suas histórias não se percam em milhares de ramificações trabalhadas por milhares de pessoas com milhares de visões diferentes que acabam gerando milhares de megassagas menores que deixam os leitores perdidos aos milhares com essas malditas linhas do tempo editoriais!

(Tá certo, as coisas não são bem assim, ainda há milhares de títulos e retcons que bugam tudo, mas convenhamos, nada se compara aos anos 90 - ave Maria 3 vezes, ave Maria 3 vezes, ave Maria 3 vezes! Bate na madeira e pede perdão dos teus pecados por ter citado essa década maldita!)

Agora as obras no cinema entendem como um mundo de super-heróis deve funcionar: junta uns dois a três caras que entendem os personagens, suas histórias e estruturas e deixem os caras pensar e decidir quem cuida do que, mantendo sempre uma proximidade editorial que sempre os lembre onde estão e com quem estão tratando (a máfia trabalha assim, acho que nunca deu lá muito errado...).

Favreau (e arrisco dizer, Leterrier) decidiu que filme Marvel tem de ser alto astral com muita aventura e ação. Nolan foi na direção quase oposta, mas não vou arriscar que toda DC tem de ser igual ao seu Batman, sombrio, mas também cheio de ação. O Lanterna de Reynolds vai nos dizer que outros caminhos a editora pode alcançar nos cinemas.

Uma coisa é verdade, no entanto, "não se mexe em time que tá ganhando", ou melhor, artilheiro bom não sai da casa, só ganha mais trabalho. Tiraram o Synger de X-Men, olha as merdas que deu (tanto pros mutantes quanto ao Super), agora chamaram ele de volta - talvez o trem entre no trilho de novo. Bem, o futuro dos supers no cinema vai nos dar uma melhor resposta.

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