4.15.2010

Fazendo um Quadrinho Independente Parte 1

Há muito sempre quis fazer quadrinhos, mas depois de vir para Fortaleza e vender todos os meus gibis para pagar meu material de estudos (nem valeu tanto a pena...), senti que alguma coisa da minha habilidade de desenhar morreu entre as vendas de minhas coleções do Homem-Aranha e A Espada Selvagem de Conan, por isso decidi desistir de vez. Durante meu ensino médio acabei descobrindo que havia algo de escritor em mim, assim comecei a esboçar contos e outros textos menores, enquanto, mesmo sem minhas coleções, não abandonei o mundo dos quadrinhos, mas me mantive como leitor casual, mantendo uma distância desagradável e uma proximidade insatisfatória.

Parecia que meu sonho de trabalhar com quadrinhos havia se perdido dentro de mim, então assisti Homem-Aranha nos cinemas.

Algo em meu coração pareceu palpitar e senti que meu sangue de novo estava misturado à atomicidade do spandex, realterando meu DNA ao estado que considero original. A chama dos quadrinhos tinha voltado com força e meu desejo em produzir algo relacionado ao gênero saltitou de meu coração como ricochete.

Sabia que precisava fazer um quadrinho imediatamente, mas minhas habilidades com desenho já ruins se tornaram piores após tanto tempo sem treino e ensino adequados. Minha escrita, no entanto, foi aos poucos se lapidando com a prática e revisão constantes. Não estava longe de se tornar aceitável (por mais que ainda tenha de caminhar muito para ser excelente) e após uma overdose de boas referências cartunadas (que iam desde o Aranha de Lee e DeMatteis, passando por Evangelion de Sadamoto até as ficções científicas de Ellis sem esquecer o melhor do verdadeiro cartun como Schulz e Waterson, além, lógico de tudo que eu pudesse conseguir de Eisner), cinematográficas (muita coisa de ação e aventura de 1970 até 1980, alguns policiais de 1990, até Pixar e Chris Nolan), e livros (Asimov, K. Dick, Machado de Assis, entre outros que não cabem aqui) eu fui aos poucos desenvolvendo uma coisa ou outra, testando um modelos, verificando coisas eletrônicas, impressas e o que mais eu pudesse ter em mãos que me ajudasse a treinar e desenvolver uma narrativa mais coesa, simples e atrativa (lógico que não vou garantir que já estou assim, mas a gente vai aprendendo e tentando...).

Mas quadrinhos não são só textos. Artistas do traço fazem-se necessários. Logo em minha primeira tentativa percebi isso, então comecei a desenvolver enredos para o dia em que este (ou estes) aparecesse.

Minha primeira tentativa de trabalhar com desenhistas veio de minha própria casa. Leônidas Medina, um primo que há muito estava distante, havia retornado ao seio de seu lar em Fortaleza depois de uma longa temporada morando em Limoeiro (lar de Ed Benes, desenhista de Birds of Prey, para quem não sabe) e seu traço parecia bem desenvolvido. Percebi talento no menino e insisti aos meus tios que o colocassem em cursos que aprimorassem suas qualidades. Assim, ele participou do Curso de Desenho do Daniel Brandão (mas por graça de Daniel que por ajuda da família) e do Curso de Animação da Casa Amarela. Fizemos alguns projetos juntos, mas sua disposição para quadrinhos era mais um passatempo que uma paixão e se perdeu para a eterna elaboração de personagens das mesas de RPG que ele participa.

Minhas esperanças pareciam definhar e, como no final de As Duas Torres, eis que Kaléo surge.

Kaléo se tornou uma das melhores parcerias que tive a sorte de fazer. Além de ser um cara "super" legal, por mais "aéreo" que possa ser vez ou outra, é uma das pessoas mais profissionais que já vi na vida e isso possui, obviamente, vantagens e desvantagens, mas no geral, nosso relacionamento e entrosamento é bem bacana: ouvimos as ideias um do outro, conversamos sobre novas e sugerimos mudanças, sempre sabendo que um e outro não são parte do processo, mas os dois juntos são todo o projeto.

Inicialmente a ideia do quadrinho não foi minha. Através de idas e vindas da internet, Kaléo se deparou com um cara dizendo que quadrinhos nacionais são uma porcaria blá, blá e blá, por isso a revolta veio a seu coração e ele decidiu ele mesmo fazer um quadrinho e, ao descobrir que suas capacidades literárias não eram as mais favoráveis a sua própria crítica, resolveu me chamar para cuidar disso.

Já podem imaginar minha resposta.

Tenho trabalhado com esse quadrinho com o Kaléo a quase dois anos. A gente conversa sobre a história, publicidade, promoções, fazer e refazer a história, convidados, pessoas que ajudam com suas avaliações entre outras milhares de coisas. Tudo parece tão completo e profissional que chega a assustar. Mas em um momento veio em nossas cabeças: "Ué? Quem conhece a gente? Como as pessoas vão se interessar por todo esse trabalho se a galera nem sabe quem a gente é?".

Foi então que o Caio apareceu e surgiu o KIMOTA! Podcast. Mas isso é papo para o próximo post.

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