6.30.2010

O Confuso Mundo dos Relacionamentos Super-heróicos

Ok, este é um daqueles típicos textos "esse-cara-não-tem-nada-melhor-pra-fazer" que todo mundo gosta de ler. Tendo em vista os milhares de filmes-spandex e seus atores que atingem sucesso, se repetem e se proliferam, decidi criar um tipo de guia de como esses caras se relacionam. Os filmes em parênteses referem-se ao encontro do "caso" citado, onde os dois atores tiveram o tal do relacionamento. Se não aparece nos parênteses é porque o relacionamento é real (como o da Scarllet e do Ryan). Espero que possa ser divertido para você ler assim como foi divertido para eu escrever.

Tudo começou com Wolverine (Hugh Jackman) que depois dos X-Men teve um caso com a Viúva Negra (Scarllet Johansson - em Scoop) e a moça tempos depois casou com o Lanterna Verde (Ryan Reynolds) que também é o Deadpool, ex-assassino de vampiros conhecido como Hannibal King (em Blade: Trinity), e ex-colega de massacres do Wolverine, e que chegamos a pensar que havia morrido (em X-men Origens: Wolverine), mas que logo voltará à ativa depois de servir à corporação dos lanternas. Um cara com muitas profissões.

Ainda no mundo X, Jean Grey (Famke Janssen) quase passa uma "gaia" no Ciclope (James Marsden) com Wolverine - o mesmo carcaju fez uma rápida parceria com Batman (Christian Bale - em O Grande Truque) que, na época, pegou a Viúva Negra (Scarllet Johansson) também. Revoltado, Scott deixa a ruiva e pede Lois Lane (Kate Bosworth - em Superman Returns) em noivado, mas descobre que o antigo namorado dela, Superman (Brandon Routh), engravidou a moça antes de se picar pra outro planeta. Talvez ele até tenha tentado uma aproximação com Jean, mas no passado da Fênix tinha um tórrido romance com Happy Hogan (Jon Favreau - em Love & Sex), guarda-costas de Tony Stark (Robert Downey Jr. - em Homem de Ferro), antes advogado e melhor amigo de Matt Murdock, o Demolidor (Ben Affleck - em Demolidor: O Homem sem Medo). Tal verdade desiludiu de vez o bom moço Summers, que terminou ficando com a ex-namorada do Máscara, Tina Carlyle (Cameron Diaz - em A Caixa).

As crianças X também são meio serelepes. A pequena e bobinha Vampira (Anna Paquin), depois de quase ser chifrada por Bobby Drake (Shawn Ashmore - em X3: o Confronto Final), perdeu os poderes, desceu todos os degrais da decência, levou o nome mutante a sério e foi viver de sexo e confusão dentuça com Bill Compton (Stephen Moyer - em True Blood). E Kitty Pride (Ellen Page), que teve um casinho meia boca com o gelado, esqueceu o garoto, sodomizou o pedófilo Coruja (Patrick Wilson - em Menina má.com) e deu seu filho com Scott Pilgrim (Michael Cera - em Juno) para a Elektra (Jennifer Garner - também em Juno). Talvez seja a influência do pai, J. Jonah Jameson (J. K. Simons - ainda em Juno).

Falando nisso, o citado Superman é um cara cheio de relacionamentos sexualmente complicados. Depois de abandonar a grávida Lois, revelou-se um homossexual ao assumir seu romance com Brandon (Justin Long - em Pagando Bem, que Mal Tem?) e acabou sendo descoberto como o ex-namorado do mal de Ramona (Mary Elizabeth Winstead), onde era conhecido pela alcunha de Todd Ingram (em Scott Pilgrim vs The World), e por isso colega de Lucas Lee, ou Johnny Storm, ou Steve Rogers (Chris Evans)... nem sei mais! Sem esquecer que na época da revelação de seu casinho gay, ele reencontrou Betty Brant (Elizabeth Banks - em Pagando bem, que mal tem?), que trabalhou no Clarim Diário com J. Jonah Jameson (J. K. Simons), pai da Kitty Pride (Ellen Page - em Juno). Por sinal, ainda nesse ínterim, Betty fica com Zack (Seth Rogen - de novo em Pagando bem, que mal tem?), que tempos depois descobriu ser Britt Reid, o Besouro Verde, namorado da esposa de Scott, Tina Carlyle (Cameron Diaz - em O Besouro Verde). Pobre mutante, realmente não dá sorte com relacionamentos...

Como falamos do Clarim, é importante não esquecer de seu ilustríssimo fotógrafo, Peter Parker (Tobey Maguire), que passou por milhares de apuros para ficar com Mary Jane (Kirsten Dunst), mas casou com Padmé Amidala (Natalie Portman - em Entre Irmãos), moça que depois começou a namorar com Thor (Chris Hemsworth - em Thor). E, muitos não sabem, mas ele teve um negócio meio mal-explicado com Tony Stark, o Homem de Ferro (Robert Downey Jr. - em Trovão Tropical), possivelmente por influência de seu irmão, Dastan, outrora Príncipe da Persia (Jake Gyllenhaal - em Entre Irmãos), o qual chegou a ter um namoro "secreto" com o amalucado Coringa (Heath Ledger - em O Segredo de Brokeback Mountain), doente mental que ao deixar Gothan de pernas pro ar, matou Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal), também irmã de Dastan e que ia noivar com Harvey Dent (Aaron Eckhart - em Batman: O Cavaleiro das Trevas), advogado bom moço e ex-consultor da indústria de cigarro que há muito já pegava a menina Dawes (dessa vez Katie Holmes - em Obrigado por Fumar). À pobre Mary Jane (Kirsten Dunst) não sobrou muito, só um coleguismo tempestuoso com a mesma Rachel (novamente Maggie - em O Sorriso de Monalisa) e um pedófilo/charmoso/estranho/novamente mal explicado romance com um imortal Loui (Brad Pitt - em Entrevista com o Vampiro), o qual, em uma época mais máscula, chegou a matar o Hulk (Eric Bana - em Troia), mesmo esse voltando com uma outra cara (a de Ed Norton) para encarar o mundo Marvel e esquecendo seu caso de amor eterno com Abigail Whistler (Jessica Biel - em O Ilusionista), possivelmente porque ela já tinha se agarrado com um sobrenatural Motoqueiro Fantasma (Nicolas Cage - em O Vidente), rebelde que já foi filho do mordomo Alfred (Michael Cane - em O Sol da Cada Manhã) e teve um rápido e motorizado caso com Lara Croft (Angelina Jolie - em 60 Segundos) a qual, durante suas pesquisas históricas, chegou a se amarrar em um espartânico Leônidas (Gerald Butler - em Tomb Raider: A Origem da Vida).

Pra fechar, é importante lembrar que o mesmo Bruce Banner/Hulk (Ed Norton), depois de toda a bagunça de seu retorno, começou um romance legal com Betty Ross (Liv Tyler - em O Incrível Hulk), moça de família que em um outro passado (quando era Jennifer Connely) chegou a casar com o Coruja (novamente Patrick Wilson - em Pecados Íntimos) que, por sua vez e na mesma época, teve um caso com a ratinha Rita (Kate Winslet - novamente em Pecados Íntimos), a qual preferiu ficar com Roddy (Hugh Jackman - em Por Água Abaixo), o Wolverine que, como todos sabem, foi quem começou isso tudo...

Haha... Confuso, não? Para os que não entenderam, peguem a lista de filmes e personagens e assista durante o fim de semana. Tenho certeza que, além de muita diversão, vão rir muito lembrando do textos e das comparações.

Até próxima semana, galera!

6.22.2010

Heróis

O que é ser um herói? qual o real significado do heroísmo? Muitos leitores esquecem de se perguntar isso quando leem um quadrinho, principalmente um de super-heróis que usam colants vermelho, azul e branco, por isso acabam taxando esses como "vendedores" de uma marca, povo ou crença. Isso não é uma mentira. Caras como Capitão América ou Superman em grande parte são isso mesmo: símbolos de uma nação. No entanto, aquilo que eles realmente simbolizam vai além das marcas e estereótipos nacionais. Eles são bandeiras, mas de uma verdade bem superior.

Em fóruns de discussão na internet (que eu pouco participo, mas gosto de ler os comentários dos outros) e em conversas com amigos, eu me vi perdido em símbolos sem significados, em conceitos de honra diminuídos, em exaltações por figuras que derrubam as regras, em mudanças dentro do mundo do spandex que na verdade são só reflexos de uma sociedade sem heróis, de uma sociedade que idolatra um capitão Nascimento, um Zé Pequeno, um Wolverine. Anti-heróis. Vilões. Vítimas. Porque é isso que esses personagens são. Eles quebram as regras por objetivos supostamente heróicos. Eles vão além dos limites e derrubam barreiras que os verdadeiros heróis estabeleceram. Eles não são heróis.

Comprei o encadernado Capitão América: A Escolha da linha Marvel Knights, de David Morell (conhecido por muitos como o escritor de First Blood, livro que inspirou a série Rambo) e Mitch Breitweiser. Como muitos que devem ter comprado, ou ao menos visto a revista, imaginava que ali havia um punhado de mensagens de adoração ufanicamente americanas. E sim, elas estão lá, desde a demonstração dos inimigos até o salvamento final do Capitão. Mas os tons de cores de Brian Reber misturados à suja arte de Breitweiser já mostram que o quadrinho não é sobre isso. Pelo contrário. É um quadrinho sobre ser herói. Sobre o poder de inspirar.

Sempre gostei do bandeiroso e do super-cueca, apesar de ambos nunca serem meus personagens favoritos ou eu mesmo nunca ter colecionado ou acompanhado suas histórias. Gosto deles porque eles são incorruptíveis em suas significações básicas. Porque eles sabem que um herói não deve ser um punhado de super-poderes com um escudo estiloso ou uma capa esvoaçante. Eles sabem que ser herói é inspirar, mostrando que é possível viver dentro das leis e fazer o bem sem furar constituições, crenças, ideologias ou barreiras. Ser herói é fazer o certo sem esquecer que este "certo" não é seu, é de todos, é para todos e é por todos.

Lembro-me de uma imagem que me emocionou há algum tempo atrás. Uma linda ilustração de Alex Ross em que Superman carregava um enorme saco de grãos e distribuía comida aos famintos (possivelmente da Etiópia). Em minha mente aquela imagem era tão cheia de significados heroicos muito maiores do que vê-lo arremessando carros ou demolindo vilões com seus punhos de aço. Aquela imagem era de um homem abnegado que tudo o que queria era que outras pessoas também fizessem aquilo: lutassem pelo mundo, lutassem por seus desconhecidos irmãos e os acolhessem.

Hoje, lendo essa revista do selo MK eu me emociono com a história de sacrifício e esperança do heroísmo, pois essa é a verdadeira imagem da morte na capa, não o Capitão AMÉRICA em seu fim, mas de heróis como ele que estão morrendo, perdendo espaço para personagens que extrapolam esse significado e acham que surrar um punhado de bandidos é fazer o certo, quando na verdade o certo é inspirar outros a seguirem o exemplo da salvação na retidão, descobrindo os heróis dentro de si e encontrando dentro da porção menor e muitas vezes desgastante de suas rotinas as razões para fazer e multiplicar o bem. O escudo pesa, mas todos podem carregá-lo e ele é bem mais que uma estrela em círculos azul, branco e vermelho. Ele é aquela parte humana que viramos as costas: humildade.

Ok, sei que isso meio que parece papo de um nerd que odeia heróis modernos. Não é. Sou tão fã de Kick-Ass e tudo que veio de Watchmen pra cá quanto a maioria de vocês e sempre acompanhei os anti-heróis bem mais que os verdadeiros heróis. Mas reconheço, respeito e admiro o significado dos bandeirosos e acho que hoje em dia isso tem sido perdido porque não tem sido exaltado. Por isso a dificuldade de fazer um novo filme do escoteiro de aço, pois, pior que o Capitão, ele não tem uma pátria. Ele é a figura pura e seca da bondade e da retidão.

Eu fui professor. Sei que inspirei pessoas ao meu redor ou ao menos tive a chance de fazê-lo. Mas a realidade me deu um tapa tão forte que virei as costas para a carreira. Exigia sacrifícios demais de minha pessoa e dos meus sonhos. Enfim, fui egoísta. Acho que se tivesse seguido os exemplos dos supers desse artigo eu aceitasse o peso em minhas costas, mas poderia ajudar a criar uma perspectiva pelo menos um pouco melhor para o futuro, garantindo que opiniões e atitudes "heroicas" assim não morressem, mas tivessem uma chance mínima de se multiplicar. Talvez eu ainda consiga isso escrevendo.

Enfim, minha mensagem a vocês. Termino com um "causo" do Capitão. Quando na Dinastia M, logo depois da queda dos Vingadores causada por Wanda, a Feiticeira Escarlate, Wolverine disse que o melhor a se fazer era matar a menina. Capitão disse que não, que havia outra saída. Logan insistiu dizendo que não existia nenhuma ali. Rogers, com um semblante decidido e verdadeiro, talvez mesmo seguro em um paradoxo que é o resultado de todas as guerras que viveu, insistiu peremptoriamente a ponto de calar o carcaju: "SEMPRE há uma outra saída".

Bem, quem sabe exista uma saída para todos nós como nação mundial, humanos e irmãos. E, como pais, mestres e divulgadores de opiniões, crenças, ideias e pensamentos, possamos ser exemplos melhores.

Até a próxima semana, galera.

6.17.2010

Os Personagens e o Mundo Criativo ou Como Desenvolver Personagens Atraentes

Muitos não vão concordar comigo, mas acredito que uma boa obra se resume em um conceito simples: ótimos personagens.

Sério. Tudo o que se faz hoje em dia, principalmente pra grande massa, é um clichê-mais-do-mesmo-repetido (com toda a força da redundância). Não por não haver títulos originais (ou a existência da Pixar é um paradoxo?), mas é que produtores e grandes estúdios, ou editoras, ou mesmo escritores, sabem que o que é conhecido sempre é mais fácil de entender e, principalmente, vender: final feliz? 10.000.000 cópias vendidas! Uma jornada pela procura de alguém amado? O triplo da bilheteria! Um grupo multifacetado que se une para enfrentar uma ameaça comum e assim se descobrem amigos e capazes de trabalhar juntos? Bonequinhos na certa! Um menino e seu bichinho? Vamos vender lancheiras e lençóis de cama! Esses e mais uma centena de enredos são completamente previsíveis, comuns, cheios de fórmulas certas para sucessos rápidos, conseguem arrecadar milhões em bilheterias ou impressos e, convenhamos, uma parte deles até convence crítica e público que são realmente bons (e costumam ser mesmo). E como se consegue tudo isso com "formas" tão batidas? Personagens cativantes.

Essa foi a fórmula do gordo e antissocial Shreck, do nerd Peter Parker, dos rejeitados Mutantes-X, do traumático Bruce Wayne, do ciumento cowboy Woody, do inquieto morto Brás Cubas e de tantos outros. Uma boa história leva à apreciação da obra, mas personagens cativantes elevam a obra à imortalidade. Por causa disso Gregor Samsa sempre será associado a uma barata, não importa o quanto de sua obra original tenha sido esquecida; o amaldiçoado Darth Vader será o alfa e o ômega de Star Wars, HAL vai ter mais homenagens que qualquer outra coisa de 2001: Uma Odisseia no Espaço e Alex será eternamente a verdadeira Laranja Mecânica.

Personagens que conseguem fazer com que o público se identifique, reconhecendo nas atitudes e dilemas do ser de ficção as suas próprias, dá corpo e consistência a um enredo, colocando nele o aceitável pé de realidade, não importa o quão fantástica seja a trama. No entanto, onde se encontram esses personagens? Em que porção do cérebro humano essas criaturas estão? Em nenhuma e ao mesmo tempo por ela toda. Afinal, as pessoas ao nosso redor, e nós mesmos, são os verdadeiros protagonistas das grandes histórias. Assim, transmito algumas dicas de concepção de personagens, antes ensinadas a mim, para vocês.

1. Retire seus exemplos das pessoas ao seu redor: levando em conta minha abordagem para criação de personagens, os melhores exemplos de os desenvolverem serão, com toda certeza, as pessoas mais próximas. Se você tem uma mãe que é o cúmulo da organização e um pai que é o desleixado da casa, a maneira de eles lidarem juntos com as situações do dia a dia pode ser o tempero que faltava para seu grupo de super-heróis. Se por acaso você tem uma amiga que é uma pessoa que faz tudo pelos outros, mas esquece um pouco de si mesma, talvez seja o problemático coadjuvante ou antagonista de seu conto urbano que tem como personagem principal um carinha "nem aí" pra vida. Atenha-se a esses detalhes e saiba explorá-los em seus textos, quem sabe até mesmo organizando-os, construindo perfis que podem ser revisitados e melhorados sempre;

2. Seja um bom observador: não se tira alguma coisa do nada, assim, se você quer montar um personagem crível seja um bom "catalogador" de pessoas: manias, costumes, "noias", formas de andar, vestir, gostos, atitudes, pensamentos e, principalmente, a maneira como fazem para manter todos esses aspectos juntos em um único ser. Esse conselho meio que complementa o anterior;

3. Misture tudo: por que um personagem inspirado em sua irmã, que é extrovertida e expansiva, não pode ter um defeito de seu primo, que é todo medroso e até meio tímido? Ela poderia usar seu extrovertismo para, na verdade, esconder uma timidez e fraqueza de manter relacionamentos longos, sempre se desinteressando cedo demais pelos que conquista. Uma vez com o perfil traçado, misture características e crie novos, dito isso vamos à última dica;

4. Desafie seus perfis: aqui é um incremento para o enredo em si. Todas as dicas apresentadas até agora são bases que ajudam a dar ideias para desenvolver novos personagens que possam ser interessantes e atraentes aos leitores, esta quarta é uma última para você que montou os personagens, mas não sabe bem como/onde/quando encaixá-los (o que não era lá bem o objetivo da matéria, mas não faz nenhum mal, certo?). É interessante quando os "perfis" encaram situações que os colocam em posição de incerteza ou contradição, forçando-os a tomar uma decisão que vá de encontro às suas características, ideias ou crenças. Algo assim os forçaria a seguir (no mínimo) um desses caminhos: fixar-se no que são e assim tentar resolver suas questões apoiando-se nisso ou mudar drasticamente, dando uma reviravolta na forma de ver aquele "estereótipo". Essas saídas podem ser amplamente exploradas e algumas outras podem surgir no momento em que você constrói sua história, o importante é saber que o trabalho é divertido para você ao mesmo tempo que possa ser divertido para outros.

Bem, essa é uma dica minha. Lógico que ela não é uma verdade universal, mas mais uma entre tantas de tantos lugares e que tenta, como todas, incentivar e melhorar a prática da criação seja de quadrinhos, roteiros para mídias audiovisuais ou livros. Espero que a apreciem e me digam se deu certo quando usá-la ou não.

Até a próxima semana.

MOVIMENTO CRIAÇÃO PARA TODOS!

6.07.2010

IDEIAS DE ROTEIROS QUE NUNCA SERÃO ESCRITOS - TRINDADES

Quando duas editoras grandes como Marvel e DC possuem personagens que são as bases de suas existências, comparações são evidentes e irrefreáveis. Quando esses personagens são as figuras centrais e bases fortes do principal grupo de cada editora, então as proximidades são quase impossíveis de não serem identificadas. Isso porque o universo do spandex é assim como o mundo real, por mais diferentes que sejam os seres, eles acabam sendo bem parecidos. Bem, pra quem ainda não sacou estou falando da LJA e dos Vingadores e de seus fundadores e líderes.

Os dois grupos passaram (e ainda passam) por várias modificações, mas suas trindades não mudam. A relembrar: nos Vingadores, Capitão América, Homem de Ferro e Thor, e na Liga, Superman, Batman e Mulher Maravilha. Em cada um de seus universos eles são a égide básica de um super-herói: poderes e origens, maneiras de encarar a justiça de uma maneira geral, postura, opiniões, etc; e também são incrivelmente iguais em suas formas: Capitão América e Superman são os símbolos, os exemplos, a imortalidade do signifcado de ser um herói, eles carregam a responsabilidade; Batman e Homem de Ferro são os heróis ricaços forjados pelas tragédias, a de Bruce bem mais traumatizante que a de Stark, são dois gênios inventivos e sociais, destacando-se sempre mais pelo intelecto que pela força bruta; Thor e Mulher Maravilha são os estranhos em terras estranhas, os mágicos mitos vivos e imortais que amam os humanos e as lições que aprendem e ensinam a eles, além de possuírem o clássico pavio curto de divindades e semi-divindades.

Apesar de tudo, eles são bem diferentes: Kal-El protege um mundo que ele não quer ver morrer como ocorreu com o seu - apesar dele não ter presenciado essa morte - tenta levar a esperança quando ele mesmo não sabe lá se acredita tanto assim nela, dessa forma se torna reticente quanto a ser líder; Steve Rogers (pra mim ele é o Capitão e não Bucky), por sua vez, viu e combateu a morte e a destruição e foi parte importante no processo de impedir que esta se tornasse ainda pior - ele carrega uma esperança que para ele é real e acredita piamente na diferença de um, por isso carrega com orgulho e experiência o posto de líder.

Wayne e Stark são os dois lados da mesma moeda. De certa forma, os dois poderiam ter se enveredado por caminhos semelhantes. Ambos possuem um tom ditador: Batman prega o medo, Homem de Ferro a superioridade. Seus meios, no entanto, são diferentes. Bruce aceita a tecnologia, sendo ele mesmo um dos a desenvolver novas formas desta, mas seu corpo e o aprimoramento deste, bem como de sua mente, são sua prioridade. Ele acredita mais em si mesmo que em suas peças. Stark, por sua vez, quer que seu corpo evolua a medida que a tecnologia do Homem de Ferro se torne algo além do 3.0 - se tornando ele mesmo a máquina e vice-versa, como foi em Extremis. Bruce e Batman são pessoas diferentes e, no final, o último prevalece. Tony é o Homem de Ferro e ele não quer desvincular um do outro, mas uni-los cada vez mais em um só. Wayne anda nas sombras, Stark na luz dos holofotes.

Diana e Thor são casos a parte. Pouco se pode dizer de suas diferenças que não caiam em semelhanças. Diana é uma amazona com poder de semi-deusa enquanto Thor é um deus - o que, comparando o nível de poder das duas editoras, deixa-os quase em pé de igualdade - a diferença é que o nórdico parece ter mais "recursos". No entanto, e talvez eu esteja até errado quanto a isso, Thor é mais passivo a coexistência com os humanos, enquanto a Mulher Maravilha, por mais diplomática que seja, está mais afeita aquele "ensinamento" rígido, nem que seja com alguns "tapinhas" de vez em quando. Thor acredita que os humanos precisam de um protetor, Diana tem certeza de que eles necessitam de um líder.

Uma vez tudo isso dito, porque ao invés de juntar toda a ruma de heróis da Liga ou dos Vingadores (como foi o encontro deles fanaticamente feito por Kurt Busiek e George Pérez) em uma coletânea confusa e bagunçada de sopapos e vilões de planos ralos, se fixar nesses três e criar histórias especiais que retratem suas diferenças e semelhanças de caráter e posicionamento?

Minha opinião é um conjunto de três mini-séries intituladas "Trinities", escritas e desenhadas por caras que entedam bem os personagens. Na minha cabeça a coisa sairia assim:

Trinities 1 - Symbols: Após um confronto espacial para proteger um planeta de uma raça ditadora, Superman é arremessado em um buraco negro e vai parar na 2º Guerra da Marvel. Lá ele conhece o combatente Steve Rogers e seu alter-ego ainda pouco bandeiroso. Super acompanha Steve contra um grupo de terroristas da Hidra ligados a nazistas, mas acha que a ação do Capitão é pouco eficiente, pois ele é simplesmente mais um soldado anabolizado, e o Capitão vê Super como uma grande força sem inteligência ou estratégia, baseando-se em seu poder somente, não naqueles que estão com ele. Assim, Super mostra ao jovem Steve como se tornar um símbolo pelo exemplo e o Capitão mostra ao Kryptoniano como se tornar um líder através do peso da responsabilidade sobre os comandados, juntando as diferenças de todos para formar um grupo mais coeso (coisa que na Liga é mais comum ao morcego). Poderia ser escrita por Mark Millar e desenhada por Brian Hitch, ambos sabem trabalhar com seres grandiosos e Millar entende bem a diferença entre os dois heróis.

Trinities 2 - Minds: talvez a melhor forma de fazer essa seja considerando que Batman e Homem de Ferro estão no mesmo universo, o que me desagrada, mas não tive ideia melhor. Um estranho assassinato de um general do exército leva o Morcego a investigar a ligação do morto com as indústrias Stark. A cada passo ele descobre algo sobre o passado de Tony ao mesmo tempo que é confrontado pelos fantasmas pessoais de seu pai e das indústrias Wayne, que também já fabricaram armas, e pelo guarda-costas dourado do ricaço Marvel sempre um passo a sua frente, como um fantasma da evolução tecnológica. A resolução do mistério traria uma luz aos dois heróis: as decisões que tomaram, as saídas que escolheram. Bruce percebe o vazio de sua jornada porque simplesmente ela não chegará ao fim por causa de tipos como Stark, mesmo ele tendo se redimido, e Tony vê que contribuiu mais do que deveria para a criação de tipos como Batman, vigilantes foras-da-lei e sombrios, não importa o quanto ele se esforce depois pra corrigir isso. Sinto falta de nomes no roteiro, talvez Grant Morrisson, apesar de eu preferir os argumentos inteligentes e tecnistas de Warren Ellis. Eu ficaria com os desenhos de Adi Granov, por conta de uma possível ambientação mais densa, mas seria interessante ter alguém que possa trabalhar com um tom policial nos desenhos.


Trinities 3 - Deities: Numa luta contra gigantes e magos, Loki aproveita um instante de descuido e envia Thor para um outro plano. Neste novo plano, o deus do Trovão cai em meio a uma grande cidade. Quando ele olha para trás, monstros avançam em sua direção. Ao se erguer para proteger-se, a Mulher Maravilha aparece e impede que os monstros o ataquem. Mesmo confuso, Thor fica ao lado da amazona de brincos de estrela. Quando finalmente eles conseguem expulsar, mesmo que temporariamente, as criaturas, Diana apresenta-se ao deus do Trovão, percebendo sua nobreza, divindade e ajuda. Ele faz o mesmo e os dois começam a andar pela cidade, reconhecendo-se como seres que estão longe de casa. Comentam sobre família, amigos, aventuras - cenas apoiadas em flashbacks da cronologia de ambos. Tenho a idéia de essa ser uma edição bem bonita que mostra a humanidade pelos olhos de dois deuses que a amam, a protegem e a criticam - meio que um arremate sobre os problemas humanos vistos pelos olhos de deuses. Mesmo assim, é uma HQ de super-herois, então há a necessidade de uns quebras. Para isso escolho um enredo meio ralo (aceito sugestões): enquanto a conversa das divindades ocorre, em outro local Ares está reorganizando seus monstros quando um esperto Loki aparece para propor um acordo: o deus da guerra ir para outro plano (Marvel), onde os seres serviriam como um bom exército para ele retornar ao mundo DC e dominá-lo de vez. Em troca, Loki quer que Ares prenda Thor naquele mundo para que o próprio deus da trapaça não tenha nenhum empecilho para se tornar senhor de Asgard. Meio desconfiado, Ares aceita a lábia de Loki e ataca o deus do trovão. O resto é blockbuster: as divindades trocam "trovoonicos" socos, algumas ilhas e prédios são arrancados de seus lugares, Ares percebe que Loki queria era trancar todo mundo no lado da Distinta Concorrência, então os dois se pegam, Diana e Thor ajudam o Trapaceiro a voltar para casa com as partes necessárias do corpo e de quebra o próprio Trovão e fim. Colocaria um nome legal para escrever isso: Michael Strackzinsky e os desenhos do Coipel que são lindos para grandes e poderosos seres e sua dinâmica e storytelling em cenas de ação grandiosas é genial.

Bem, essa é minha proposta. Quem sabe um olheiro não decide que ela é legal e me encomenda a idéia?