8.10.2010

Toy Story 3 [Spoilers]

Ok, vou confessar uma safadeza pra vocês. Estou sem ideias para escrever. Aquele tal de bloqueio criativo, sabem? Mas longe de mim fazer com que isso atrapalhe o andamento deste blog (já basta a rotina do meu trabalho, meu computador quebrado e minha internet irregular). Por isso, peguei uma matéria que escrevi há um tempo, mas por alguma razão resolvi não colocar. Sei que na altura do campeonato ela já está bem atrasada, mas acho que nem todas as pessoas seguem os mesmos tempos que a indústria do entretenimento, então vejam aí meu review de Toy Story 3. Mas antes, uns recados pra vocês.

Recado 1: Vejam o header novo. Um desenho gentilmente cedido por Geraldo Borges, desenhista cearense que já fez trabalhos pra Marvel e DC. Espero ter mais caras nacionais não só nos títulos mais em entrevistas e em outros posts. Mandem seus desenhos para roteirozeapneia@yahoo.com.br que eu publico aqui e os melhores viram o header do mês. Preparem alguns de Natal, estou sem ideias...

Recado 2: Fanzineiros do Brasil, mandem seus materiais para o e-mail: roteirozeapneia@yahoo.com.br. Gostaria muito de por uns reviews e críticas aqui, mas falta material recente (e que eu não esteja envolvido) em minhas mãos. Eu ia lançar uma resenha de um Fanzine bem legal, mas descobri que a revista era de 2008, então deixei pra lá. Mandem materiais novos que eu adoraria divulgar aqui.

Recado 3: Vejam que acrescentei dois links na lateral: o que leva ao blog de Warren Ellis, para mim um dos mais criativos escritores de ficção científica da atualidade (lembram dele na minissérie "Extremis" do Homem de Ferro?), e de Emma Ríos, que atualmente está desenhando Homem-Aranha nos EUA e é uma artista de traço muito bom e que recebeu minha admiração por desenhar um quadrinho sobre Amadis de Gaula, possivelmente a primeira novela de cavalaria da história. Então acompanhem essa galera que eles são muito bons.

Recado 4: Vi Príncipe da Persia também. Muito Legal. F$%@*$# os frescos!

Toy Story 3

Há obras que são imortais por marcarem a criação de uma nova tecnologia para um meio de comunicação, como foi Tron, Parque dos Dinossauros, Avatar. Há obras que são imortais porque estão acima de muitas obras dentro de seu gênero, como E o Vento Levou..., Psicose, Star Wars – O Império Contra-Ataca. Toy Story se engloba nas duas características. Magnificamente. O filme é uma verdadeira joia do cinema moderno, não somente do de animação. O chato é que dificilmente uma sequencia de um filme desses funciona. Talvez só 2% de continuações de obras incríveis são realmente boas. Toy Story 2 está nesses 2%. O filme logicamente não possui toda a enorme e grandiosa novidade do primeiro, mas diverte e encanta com uma narrativa atraente e tocante. Em nada perde em relação ao primeiro. A iclusão de novos personagens e o aprofundamento dos antigos foi na medida.

Mas a coisa pareceu parar ali. Mesmo com tantos filmes bons no currículo da Pixar, o fim da série não parecia tão atraente. Até as chamadas para o filme davam a entender que seria uma sequência meio "boba" apelando para um conjunto de piadas que só tiram alguns risinhos. Ledo engano. O terceiro da série é a consumação de uma verdade inquestionável já repetida aqui mesmo neste blog inúmeras vezes: a Pixar não sabe errar. Nem quando ela tem a chance para isso.

Toy Story 3 é uma pérola tão, quiçá mais, brilhante que qualquer outro episódio da trilogia. Não há erros, ou cenas desperdiçadas, ou falas vazias, ou momentos cansativos. Toy Story 3 é uma obra completa que fecha a mais importante série animada para o cinema desde que o primeiro TS foi feito. Mais que isso, a trilogia marcou uma geração de maneira completa (desde crianças que agora estão bem mais crescidas, até adultos que já não são mais tão jovens) sem tratá-los como imbecis descerebrados ou intelectualoides convencidos. A história desde o primeiro até aqui é tão única como um parente que você reconhece os passos, ou convidativa quanto um abraço de pessoa amada, ou doce como o melhor momento de suas férias. Toy Story 3 não esperou seus espectadores crescerem, pelo contrário, convenceu-se que eles amadureceram.

Não vou aqui explicar o enredo. Não há necessidade de fazer tanto. Woody é o cowboy, Buzz o astronauta. Eles são brinquedos de Andy. Isso é tudo. Um contexto de díspares criando um conto de fadas moderno, cheio de mensagens engrandecedoras, verdadeiras e tocantes.

Enfim, o terceiro filme começa com uma grande homenagem aos filmes anteriores e antes que se imagine que é uma mera encheção de linguiça, ele respeita os que nunca assistiram à obra (existe realmente gente assim?) ao mesmo tempo que diverte os ansiosos fãs. Assim, todos sabem quem está ali, Senhor e Senhora Cabeça de Batata, Rex, Porquinho, Jessie, Bala no Alvo, Slinky, os três ETs e Barbie. Alguns fazem falta e o mero espectador se pergunta "onde está Turbo, Tela Mágica, Microfone, Wheezy?", mas o espírito do filme é realmente esse: a falta que fazem os que já não estão mais ali e a alegria por alguns poucos ainda ficarem. Isso sem ser abusivo, obscuro, duro. São as certezas de uma vida que vai, com pessoas que ficam pelo caminho e às vezes não voltam, mas fazem falta. É uma mensagem tão humanamente real que podemos associá-la a praticamente toda nossa vida: a saída de seu bairro de infância, o fim das aulas do colégio ou da faculdade, a demissão de um emprego que você ficou anos. Enfim, mudanças.

O filme é uma parábola para essas e outras mudanças e de como elas inevitavelmente levam ao fim. Mesmo com o começo divertido com os brinquedos chegando na creche, ou com Ken e seu "metrossexualismo plástico", ou com a hilária e emocionante coragem de Senhor Cabeça de Batata (um tubérculo acima de qualquer suspeita e um herói nato) o tempo todo a dificuldade das mudanças e como elas são impactantes mesmo quando aceitas ou traumatizantes quando soam como abandono surge na certeza de que aquele fim definitivo é inexoravelmente inevitável e está bem próximo.

Logicamente, nem tudo é dor e mesmo todas essas verdades, por mais crueis que sejam, ainda podem nos trazer alegrais. Há sempre uma saída. Com essa frase é inevitável não encher os olhos d'água quando os brinquedos dão as mãos, fieis àquela amizade, quando sua destruição parece tão certa quanto a verdade de que tudo é consumido pelo fogo. Impossível não ir à lágrimas quando Andy, em uma prova concreta de amadurecimento e humildade, dá todos seus brinquedos, inclusive o eterno amigo cowboy a uma menina que partilha de sua imaginação. É um fim definitivo, recheado de mensagens de amizade, fidelidade, velhice e mesmo amor fraterno.

Não há como assistir TS3 e não se sentir emocionado, triste e feliz por tudo aquilo. Por aquele fim tão respeitoso aos fãs da série e tão engrandecedor ao cinema. Mais que uma animação, a Pixar criou uma ilha de preciosismo que coloca suas obras acima de qualquer coisa que está sendo feita em tela grande atualmente. Desenvolvendo enredos maduros que servem a todas as idades ao mesmo tempo que se tornam imortais pelo simples fato de existirem.

Bem, acho que fui longe demais... realmente me empolguei aqui... mas não há mentiras em minhas palavras. E, se você duvida, é porque ainda não assistiu da maneira certa os filmes da Pixar. Aproveite, alugue os dois Toy Story e quando acabar corra pro cinema e assista a conclusão dessa que é a mais bela história de amizade já feita.

Até a próxima, galera.

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