8.17.2011

O MUNDO E OS COLECIONADORES DE GIBIS

Desde que o primeiro quadrinho foi colocado numa banca de revistas, surgiu um tipo especial de ser humano que está pronto para catar, das formas mais difícies e inimagináveis, as obras que mais agradam seu coração (ou não), salvaguardando-as do fogo, enchentes e mesmo o irremediável tempo. Eles são tão importantes para a História quanto os próprios historiadores, os quais muitas vezes recorrem a eles quando nenhuma pista da existência de um item específico parece existir. São os COLECIONADORES! Mas, será que eles são assim para sempre: eternos e sisudos guardiões em uma missão divina de proteger alguns dos mais estimados objetos produzidos pela arte humana? Ou será que eles nada mais são que levados por um momento de sua vida, aquele instante entre o apego às memórias pueris e a maturidade, resultado (quase) inescapável da vida adulta?

Eduardo da Silva Pereira é um colecionador de Histórias em Quadrinhos que doou um pouco mais de 2000 títulos de sua coleção para a Gibiteca de Fortaleza. Ele fala ao Z&A como começou sua coleção, as razões de tê-la e porque se desfazer de seus títulos! Curta a entrevista a seguir!

Z&A. EDUARDO, COMO SURGIU TEU CARINHO COM OS QUADRINHOS. QUAL FOI A PRIMEIRA OBRA QUE FEZ VOCÊ SE INTERESSAR PELO GẼNERO ?

Edu. O incentivo e o carinho surgiram graças às primeiras revistas em quadrinhos que me foram dadas nos anos 80, por uma tia que já faleceu. A partir disso começou o meu interesse. Mas foi com certeza a revista Batman ano um, que tive contato no ano de 89, através de um amigo mais velho, que me apresentou este grande clássico dos quadrinhos, que me fez assim tomar consciência plena do amor que tenho até hoje pelo gênero.

Z&A. COMO COMEÇOU SUA COLEÇÃO? VOCÊ FOI COMPRANDO E ASSIM FORMOU ALGO OU VOCÊ DECIDIU COMEÇAR COM UM OBJETIVO ESPECÍFICO, TIPO: "VOU TER TODAS AS REVISTAS DO HOMEM-ARANHA"?

Edu. Tenho certeza que minha coleção começou com as revistas da Turma da Mônica, dadas pela minha tia e principalmente pelas edições do Batman formato americano da editora ABRIL, lançadas no inicio dos anos 90.

Z&A. QUAL O ITEM DA SUA COLEÇÃO MAIS DIFÍCIL DE CONSEGUIR? E QUAL VOCÊ TEM MAIS ORGULHO EM TER?

Edu. Com certeza foi um número especial do casamento do Fantasma dos anos 70. A que tenho mais orgulho de ter conseguido, foi a revista da Mafalda editada pelo Henfil e lançada no início dos anos 80.

Z&A. QUAL A RELAÇÃO ENTRE OS COLECIONADORES? VOCÊS SE COMUNICAM, TROCAM INFORMAÇÕES? COMO ACONTECE ISSO?

Edu. O relacionamento é muito satisfatório entre os colecionadores e se dá normalmente em gibiterias, sites de relacionamento, eventuais troca de cartas, encontros casuais e em bons bate-papos em bares e restaurantes. Acho que ainda falta por parte dos colecionadores (e me incluo nisso) uma organização de espaços para encontros que visem tratarmos de assuntos em comum, porque além de colecionadores, muitos também sem querer ou querendo se tornam pesquisadores do assunto.

Z&A. IMAGINO QUE MUITAS PESSOAS PENSAM QUE COLECIONADORES SÃO CARAS ATARRACADOS QUE PASSAM A VIDA DENTRO DE GRANDES GALPÕES COLETANDO COISAS RARAS. É ISSO MESMO?

Edu. Muito pelo contrário. Cada colecionador tem sua vida social, ou seja, sua vida a parte da coleção. Alguns gostam de sair para festas, cinemas e outras diversões. Mas também existem alguns que são ainda reclusos e preferem não ter uma vida social. Mas na minha modesta opinião: cada um escolhe o que acha que é bom para si mesmo.

Z&A. VOCÊ DOOU CERCA DE 2000 TÍTULOS DE QUADRINHOS PARA A GIBITECA DE FORTALEZA. COMO FOI SE LIVRAR E TODO ESSE MATERIAL? QUAIS AS RAZÕES QUE FAZEM UM COLECIONADOR SE DESFAZER DE SEU ACERVO? HÁ ALGUM ITEM DO QUAL VOCÊ NÃO CONSEGUE SE DESFAZER?

Edu. Foi bom!!! Eu tenho certeza que para qualquer colecionador chega o tempo em que ele deseja se livrar de algo que não pode fazer parte de um determinado momento que ele está vivendo em seu presente,ou seja, na minha opinião dividir parte deste acervo com outras pessoas é um grande prazer. Com certeza tiveram itens, que eu não me desfiz, porque de um modo ou de outro, fizeram parte da minha vida e são intimamente ligados a importantes fatos afetivos da minha existência.

Z&A. DIGA UM DOS ITENS DOADOS QUE MAIS VALE À PENA LER E POR QUE?

Edu. Tem tantos!! Mas vamos lá.... Para mim é a Batmam em cores nº 2 de 1969, da editora EBAL. Por ter sido uma das primeiras edições totalmente em cores do Batmam lançada no Brasil,além também de trazer desenhos inovadores e um textos primoroso que realmente revitalizaram o Homem-morcego que estava estigmatizado pelo seriado de TV dos anos 60.

Z&A. COMO ÚLTIMA PERGUNTA, MANDA UMA MENSAGEM PARA OS FÃS DE QUADRINHOS QUE LOGO PODERÃO CURTIR SUAS DOAÇÕES NA GIBITECA DE FORTALEZA!

Edu. Não deixem de conferir está coleção, que no fundo resgata para o jovem ou velho amante de quadrinhos um pouca desta trajetória histórica, social e na maioria das vezes afetiva que temos com aquela revista em quadrinho que fez ou fará parte da nossa vida. Valeu, Luís!

Não deixem de conferir essa magnífica coleção na Gibiteca de Fortaleza: Biblioteca Dolor Barreira, Av. da Universidade, 2572 – Benfica. Fortaleza, Ceará. (85) 3105.1299.

Aberta de segunda a sexta de 8 da manhã até 8 da noite e aos sábados de 8 da manhã até 5 da tarde!

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