11.03.2011

PREVIEWS FQCE - FIQ: GRUPO Pb


A ideia para formação do grupo nasceu em uma tarde quente de um domingo de novembro, em 2010. Na época, Marcus Rosado, quadrinista, revelou a Luís CS, roteirista e amigo, o desejo de começar a produzir quadrinhos. Assim, eles sentaram e sugeriram várias ideias: guerras espaciais, jornadas de cavaleiros, monstros do armário, robôs gigantes, heróis uniformizados - todos os clichês possíveis a um quadrinista iniciante foram colocados em mesa, mas nada em si foi decidido, exceto o nome do grupo: Pb Quadrinhos, "Porque todas as boas histórias estão em preto e branco", disse Luís, parafraseando Caio, do extinto KIMOTA Podcast.

A resposta definitiva surgiu semanas depois, quando Marcus conheceu Catarina Brontë, principal roteirista do grupo. A tímida garota mostrou uns manuscritos em um caderno de matéria com cerca de 90 páginas de uma história de dramas pessoais e erotismo. A trama atraiu a atenção de Marcus e, após uma conversa com Luís, os dois começaram a elaborar o quadrinho, o primeiro como desenhista da série e o segundo como editor. Assim, o primeiro quadrinho do grupo surgia, FOCO.

Na história, Manuela é uma garota introspectiva e sem confiança em si mesma, que, através de sua polaroid, começa a registrar práticas sexuais das pessoas a sua volta: padrasto, irmãs, professores e desconhecidos, utilizando as fotos para decorar sua parede que, como ela mesma diz, é tão vazia quanto sua própria vida. Aos poucos esses registros vão revelando diferentes relações de submissão, mostrando a Manuela que os desejos sempre são mais que carnais.

"A ideia de se criar uma série de contos sobre pessoas e sua vida íntima sempre passou pela minha cabeça, mas nunca tive o 'feeling' correto para fazê-lo. Catarina veio com a ideia quase pronta: personagens, narrativa, temas e Marcus fechou a equação com sua própria visão do que queria desenhar e do tipo de história que gostaria de contar. Tudo o que fiz foi adaptar a trama para o formato dos quadrinhos. Sem entregar muito a história, tentamos fazer algo que tenha o 'poder' como tema central. O tempo todo e de diferentes formas, há relações de poder sendo empregadas e a maior metáfora disso é o sexo, ele tanto é interpretado como forma de submissão a alguém como de dominação. A história também fala sobre despertar, sobre sair do local comum. No primeiro arco de histórias, poderemos sentir isso de maneira muito leve através das 'observações' de Manuela, mas o segundo - e aparentemente definitivo - volume, com a inserção de alguns personagens novos, isso ficará mais evidente e a personagem mudará de uma maneira gradual, mas incrivelmente radical pra sua própria visão de mundo", comentou Luís.

"Catarina é uma autora nova, mas muito promissora. Ela sabe trabalhar personagens com conceitos simples e de fácil identificação, mas que não são lineares. Eles são tão complexos e críveis quanto seres humanos comuns. Fora isso, é importante estarmos inicialmente trabalhando com personagens reais, em contextos reais, embora com situações um tanto incomuns - mesmo que não impossíveis. Marcus e eu viemos de uma tradição de super-heróis e narrativas fantásticas e foi um desafio, bem como um aprendizado trabalhar com uma trama onde não há explosões a cada virada de página, mas que emoção pode ser apreendida em detalhes como um sorriso que evidencia uma mentira ou um grito de revolta. Acreditamos que o grupo todo está entregando uma obra bem à flor-da-pele, sensual, incômoda e interessante", continua o editor.

Catarina, no entanto, tinha uma exigência. Ela gostaria que mais mulheres estivessem envolvidas no grupo. Assim, Rute Aquino foi convidada como revisora e consultora de roteiro. Sua participação é tão relevante que Catarina a considera corroteirista da série. Ouvindo o conselho da roteirista, Luís convidou garotas para serem capistas de FOCO, cuja primeira edição é feita por Débora Cristina, que fez seu trabalho em aquarela.

Para FOCO, a proposta de publicação da obra é fazer arcos de cinco histórias de até 8 páginas. O arco inicial é dividido em 2 volumes, o primeiro com três histórias e o segundo com as duas últimas e mais uma história bônus, além de rascunhos de produção. Cada uma delas funciona sozinha e os volumes podem ser lidos em qualquer ordem.

Há também um cuidado com o público e a distribuição, como fala Luís: "Toda a venda será feita por internet, dispositivos eletrônicos ou em eventos - em versões on line e impressas. Estamos nesse instante cuidando exatamente disso. Seria muito bom começar um site pelo blogspot e fazer de qualquer jeito, mas o Marcus foi muito insistente em apresentarmos um produto de qualidade, por isso preferimos manter a produção ativa, enquanto analisamos e testamos as melhores formas de divulgação e publicação. Após o lançamento do primeiro arco, vamos verificar a resposta do público. Se ela for positiva, vamos arriscar lançar o segundo arco em um projeto melhor acabado, apresentando o resultado a editoras e propondo o quadrinho como uma publicação mais luxuosa, mas sempre se preocupando em não deixar os leitores na mão e oferecendo um produto novo, tentando evitar as reedições. Assim, quem adquiriu o primeiro arco nunca vai precisar substituí-lo, pois queremos sempre trazer histórias com problemas e temas novos".

Depois da primeira edição de FOCO ser desenhada, outras ideias surgiram. Marcus e Luís decidiram arregassar as mangas e produzirem sua própria obra. Alguns devaneios e filmes do Tarantino depois, surgia O GUARDIÃO, a história sobre um rapaz hiperpoderoso que é convencido a ser um herói, protegendo a Terra ao invés de destruí-la - e como as pessoas do planeta reagem a sua constante intervenção em suas rotinas. Suas histórias, sempre contos completos de 8 páginas, serão publicadas inteiramente na internet em um site a ser lançado em 2011. Os roteiros ficam com o próprio Luís, também editor do grupo e administrador do site, desenhos e edição de arte de Marcus e cores de Kaléo Mendes, parceiro de Luís no grupo Mercúrio.

"FOCO é uma história muito boa, mas muito pessoal de Catarina. Por mais que Marcus, Rute e eu mostremos nossas opiniões em um ponto ou outro da história, há tanto da autora ali que não nos sentimos coautores. Chegou um ponto que eu e Marcus precisávamos de algo que fosse nosso. Lembro de um momento enquanto decidíamos uma ou outra ideia para a edição 2 de FOCO que Marcus me falou, 'Quero desenhar uma história de super-heróis', pouco tempo depois eu entregava pra ele duas ideias sobre um herói na segunda guerra mundial, ciganos e longevidade, mas que foram deixadas de lado, por conta do extenso período de pesquisa e da dificuldade de encontrar um formato que agradasse tanto a mim quanto a ele. Depois de muito pensar, me veio essa ideia de um personagem que na verdade não sabe que é herói, apesar de ser visto como o maior protetor do planeta, e que é incrivelmente alheio a este. Semanas depois, Marcus estava fazendo layouts de página e eu escrevia o segundo roteiro. Acreditamos que esse vai realmente ser um grande trabalho!"

No FIQ - BH, os curiosos e alguns fãs da dupla poderão dar uma conferida na primeira história de FOCO, feita especialmente para o evento, e ver originais de Marcus Rosado para as duas obras, bem como tirar fotos ou pedir autógrafos. Tudo na mesa do Fórum de Quadrinhos do Ceará! O FIQ acontece de 9 a 13 de novembro em Belo Horizonte.

Abaixo, uma prévia da edição que estará na mesa do FQCE!


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