11.25.2011

REVIEWS FIQ 2011 - PARTE 2


Continuando a incrível missão de comentar minhas impressões sobre todos os quadrinhos que adquiri no FIQ, segue duas obras de uma galera muito gente boa do Rio de Janeiro. A partir dessa edição começarei a dar selos (uma maneira simples de se visualizar a resenha, além dos meus comentários). Funcionará assim:

SELO 90's: belo de se ver, conteúdo descartável
SELO 80's: divertido, marcante e com um visual agradável aos olhos, sem precisar ser profundo
SELO 70's: grande texto, arte conceitual, mas visionária
SELO 60's: ainda em seu embrião com muito a melhorar, mas com algum potencial

Os selos acima sempre estarão ao final do texto indicando como esse quadrinho foi interpretado. Algumas obras, no entanto, podem apresentar também os seguintes selos especiais:

SELOS ESPECIAIS
SELO MILLER: inteligente e bem narrado, mas de futuro duvidoso...
SELO MOORE: rico em informações com frases e ideias afiadas, mas pendendo à aparente loucura
SELO MILLAR: diversão e ação à toda prova, blockbuster na certa, mas com grande chance de ser somente pop
SELO EISNER: obras-primas. Indiscutível.

COMIC COW de Denis Mello

Inicialmente Denis Mello imaginou sua Comic Cow como forma de participar do evento Cow Parade, assim, ele fez uma vaquinha ornada por uma história em quadrinhos - onde a própria vaquinha havia ganhado superpoderes após um meteoro atingir seu pasto, matando suas amigas. Sendo bem sucedido nesse intento, Mello pegou a história DA vaca NA vaca e colocou NO papel, daí nascendo o impresso COMIC COW, onde a mesma história pode ser apreciada pelo passar das páginas.

Infelizmente, aí se encontra o grande erro. Por simplesmente ter "colocado" o trabalho para o Cow Parade e transformado em páginas, você sente um roteiro descartável, onde os personagens e as situações são tão apressadas que não há momento para se familiarizar ou mesmo simpatizar com a Vaquinha. Uma pena, pois Denis Mello possui um desenho cartum bem estilizado, com artes bacanas e uma composição atraente, fora o fato que há um incrível potencial cômico na situação (vide o caso de Lene Chaves durante o Manicomics) que não foi corretamente aproveitado. A Supervaca funcionava melhor quando era uma arte plástica, enfeitando sua musa numa exposição. Nas palavras de Yoda: "Pensar em adaptação, você deve".

SELO 90's

COLETÂNEA 23,5 de Daniel Bicho, Giba, Igor Chaves Jeanne Göpfert, Lucas Santoro, Luisa Pires, Marília Bruno e Renato da Matta

Coletâneas sempre são complicadas, principalmente quando surgem no ambiente independente, pois correm o risco de cada um fazer do seu jeito e a coisa toda parecer uma loucura só, sem identidade alguma e que causam uma grande estranheza pela "liberdade criativa". 23,5 não sofre esse problema, com todas os autores tendo a liberdade necessária para produzir o que querem dentro de uma temática que é comum ao ambiente proposto ali. Com uma capa inspirada, um design profissional e um acabamento de primeira (em folha amarela, vejam só) a impressão que se tem é de uma HQ bancada por editora, com trabalho e tratamento especial. Impressionante logo nas primeiras páginas descobrir que não é nada disso.

Sem a necessidade de ter de fazer uma resenha pra cada história, acho que merecem destaque os trabalhos Psycholic (de Marilia Bruno), Tim Punk (de Giba) e Bull Black Nova (de Igor Chaves), os dois últimos por suas histórias diretas e concisas e uma arte competente e o primeiro por seus interessantes experimentalismos que ajudam a dar um tom ao mesmo tempo cômico e único pro quadrinho. Os outros trabalhos, por sua vez, são de uma qualidade puramente artística e devo confessar que um tanto incompreensivas ao primeiro olhar. Em meio a essas destaco Tirinhas (de Luísa Pontes) que mereciam um acabamento fora dos papeis em bloco: uma pintura em cores em uma galeria de arte caberia bem ao caso.

SELO 60's

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