2.29.2012

PAPO RPG: DUNGEONS & DRAGONS 5ª EDIÇÃO?



Mudanças, todos parecemos temê-las de alguma forma. E não é que um dos hobbys mais NERDs do planeta está para mudar? Dungeons and Dragons, um jogo baseado na cooperação entre pessoas que imaginam e interpretam o papel de heróis está prestes a ganhar sua nova edição.

Nova edição é sinônimo de caça às bruxas. Foi assim com as edições anteriores e é assim hoje. O "mimimi" de jogadores de RPG (jogo de interpretação de papéis, categoria em que o Dungeons and Dragons se encontra) já é algo habitual.

Em suas várias edições presenciamos a batalha ferrenha entre entre jogadores e edições. Grupos vendo dragões em edições mais novas e princesas puras e virginais em suas edições "ultrapassadas". A guerra das edições, estranhamente não promovida pela antiga TSR ou pela atual Wizards of the Coast/Hasbro é orquestrada por jogadores e mestres presos a visões no mínimo estreitas.

O que já foi dito é que essa 5ª edição buscará ser o amálgama de todas as outras. Reunir o "feeling" do maior e mais famoso RPG da galáxia numa única edição através de um Frankestein das edições anteriores. As direções apontam para um D&D customizável, onde integra-se os elementos e regras que aquele grupo deseja, mas sem tirar o gostinho de hack 'n slash clássico de D&D.

A opinião do Mestre da Masmorra é uma só: "É muita bola de fogo para pouco kobold!". A 4ª edição não possuiu um tempo de amadurecimento. O testes de implorar dos que se julgam old school fizeram até com que uma linha chamada Essentials fosse desenvolvida para acalmar as banshees que choravam pela 3.5. Antes de ver as vantagens incontestáveis para o Mestre e para o gameplay - o jogo realmente ficou cooperativo pela primeira vez em uma década - preferiram apelar com feats e combos podres que alegavam perda do flavor, perda da interpretação (como se a 3.5 fosse isso ou mesmo D&D), D&D MMO, preferência pela aberração altamente videogame da Paizo, enfim, uma hora tinha de acertar a defesa de Vontade da Wizards/Hasbro.

De repente, e mais uma vez, parece que nós, jogadores e mestres experientes, perdemos a percepção de que um bom jogo se faz com bons mestres e jogadores e não com edições. 90% das afirmações que ouvi e ouço de pessoas reclamando da 4ª edição são risíveis, no mínimo. Elevando edições anteriores ao status de divindade vamos aos poucos nos tornando os sacerdotes de crenças obscuras que vez por outra enfrentamos em sessões de jogo nos finais de semana. Somos nosso próprio dragão, deitados sobre aquilo que julgamos ser nosso tesouro. Liches julgando que uma edição é a nossa filacteria. Mas e quando os novos aventureiros chegarem? O que faremos?


A verdade é que mudanças, chorem ou não os adeptos da 4ª edição estão por vir. Pelos motivos errados, mas estão por vir. As mudanças apontam para um portal mágico, mas na prática não vai ser apenas rolar um d20. Como todas as edições anteriores de Dungeons and Dragons, haverá sucessos decisivos e falhas críticas na concepção da nova edição. De qualquer maneira, já estou vestindo a armadura e com os dados na mão. O que quer que venha por aí, que seja D&D!


Bruno Palhano é mestre/jogador/estudioso/criador de RPG de diferentes sistemas desde eras imemoráveis. Ele possui mais miniaturas e dados em casa do que existem jogadores de RPG no mundo. Nos tempos livres, ensina às mentes jovens os segredos da leitura e produção de literatura de verdade. Alguns aprendem e chegam ao 20º nível de seres humanos, outros não...

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