3.09.2012

DECIDINDO POR QUADRINHOS: MERCADO INTERNACIONAL

"Calma aí, galera! Tem emprego pra todo mundo... eu acho..."


Uma das mais populares opções para quem decide por quadrinhos como forma de vida é o mercado internacional. Grandes editoras como Marvel, DC, Dark Horse, Image, entre outras sempre estão à procura de pessoal para completar seus inúmeros títulos mensais. Esse mercado, além de claramente interessante pelo seu status, possui promessas grandiosas para aqueles que querem uma renda além da normal. A verdade é que sim, fazer parte do quadro de uma editora - mesmo que como um artista que "complementa" o time de um título vez ou outra - é uma adição magnífica ao seu currículo (adicione: "desenhou BATMAN" a sua lista de experiência pra você ver), e a parte da grana não é tão falsa assim, apesar de incrivelmente superestimada. As editoras americanas talvez sejam as que melhor pagam páginas de quadrinhos. No entanto, é preciso ver que há muito mais por aí.

Na última FIQ, editores e artistas europeus e orientais foram bem patentes em dizer que procuravam profissionais de outros lugares do mundo e para que mostrassem seus lugares de origem, seus costumes, ambientes e histórias, desmistificando a ideia de que pra trabalhar lá fora você tenha de "dançar a música deles". Isso é muito bom para artistas que procuram editoras que lhes propiciem mais liberdade de trabalho e que deem créditos às suas próprias ideias. Fora isso, no Brasil, a Maurício de Sousa Produções costumeiramente procura por novos desenhistas e roteiristas e algumas iniciativas, como as da Quadrix, abrem espaço para novidades.

Enfim, mas o foco aqui é mercado internacional e nesse quesito - apesar das enormes exceções - algumas regras devem ser seguidas para aqueles que têm essa pretensão. A seguir eu defino cada uma:

PARA DESENHISTAS, ARTE-FINALISTAS E COLORISTAS

Estude sempre. Sem estudo seu trabalho
nunca chegará onde você deseja.
Antes de tudo, há regras de ouro em qualquer uma dessas artes: estude sempre, desenhe todo dia, nunca pare de aprimorar. A indústria de quadrinhos é muito exigente e segue numa progressão: 1º saiba o básico, 2º melhore esse conceito, 3º diferencie-o e 4º estilize caso se sinta em necessidade de fazê-lo. Muitos desenhistas nem chegam a quarta etapa, mas com certeza os mais conhecidos foram até a terceira e os mais disputados e adorados extrapolam o último. Isso é necessário: fazer mais, querer mais, ser mais. Independente de estar numa forma de arte que se adora, ainda é uma empresa, uma indústria, e ela vai ser exigente. Se tem esse objetivo, você não será só um artista dela, mas um funcionário e só os melhores ficam no quadro da parece, né?

Uma vez treinado e estudado o bastante (lembre que um desenhista de quadrinhos não somente desenha, mas ele entende de narrativa, design, desenvolvimento, história, virada de página etc. etc etc.) é hora de seguir na trilha. Se não é americano e nem mora na mesma cidade que as editoras (e mesmo pra quem mora) a melhor saída é procurar uma empresa que agencie seu trabalho. Antes de fazer parte dela você vai fazer muitos (e quando digo "muitos" é muitos mesmo) testes para que vejam suas habilidades de desenho e como contador de histórias. Os agenciadores são muito bacanas porque eles veem onde determinado trabalho pode melhorar e dão toques (o que pode fazer com que os seus "muitos" desenhos se tornem "mais") até que você esteja em um nível aceitável para que eles possam te passar para um trabalho pago - o que pode vir de todos os lugares, desde trabalhos de pessoas físicas com muita grana pra gastar até editoras grandes. E nisso você vai progredindo até alcançar seu objetivo (que pode ser algo como um Romita Jr. que só desenha, mas do jeito dele, até um George Pérez, que faz o que quer onde quer).

PARA ESCRITORES

Muitos falam da dificuldade de se entrar no mercado internacional como roteirista de quadrinhos. Ela é real. A própria Marvel já disse que prefere escritores de seu país ou que falem língua inglesa - o que na verdade é que eles querem dizer: "que estejam inseridos na cultura do tio Sam ou de seus associados" - e uma rápida passada pelos créditos que cada edição comprovam isso. No entanto, dificuldade não é sinônimo de impossibilidades ou mesmo desistência. No máximo, devem ser consideradas como degraus para o eterno aprimoramento. Bom, mas não é isso que o leitor quer saber.

Antes de tudo, é preciso saber alguma outra língua que não português - pense em que mercado você procura: Europeu? Francês é uma boa pedida. Oriental? Seria legal ter conhecimento de japonês e coreano. Americano/inglês/indiano? Um bom conhecimento em inglês e/ou espanhol seria uma mão na roda. Outra coisa importante é ter sempre um desenhista amigo - ou saber desenhar - que converta seus roteiros escritos em peças mais acessíveis à leitura de um editor ou avaliador. Acredite, muitos editores não se dão ao trabalho de pegar um arquivo completamente em texto que não tenha, no mínimo, uma sinopse logo no começo, então o que você puder fazer pra despertar o interesse para seu texto é mais que válido. Também lembre que a atividade de escrita, por mais difícil que possa ser, ainda é mais rápida que a do desenho, então entre um roteiro e outro escreva contos, faça matérias, artigos, reviews, blogs, entre outras formas de texto, elas também te ajudam a evoluir e a ser reconhecido. Depois disso, os caminhos não são muito diferentes do que os para desenhistas: procure agências que sirvam para roteiristas ou mesmo editoras que procuram esses tipos de profissionais.

... MAS NUNCA ESQUEÇA DE PRODUZIR SEMPRE

Lembre: "Tentar não existe.
É fazer ou não fazer".
Apesar de todas as dicas - quase uma cartilha - a verdade é que você pode ser "encontrado" sem necessariamente seguir essa trilha, mas, para tal, mantenha sempre sua produção constante: faça zines, produza blogs, apresente seu trabalho para outros artistas e aprenda com eles, vá a convenções e troque ideias e experiências. Quem sabe você não consegue encontrar um atalho para seu sonho...

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